Nesta quarta-feira (13), a Justiça Federal concedeu habeas corpus aos cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, que estavam detidos durante a Operação NarcoFluxo, da Polícia Federal. A operação investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado a apostas ilegais e tráfico internacional de drogas.
A decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) atendeu ao pedido da defesa, permitindo a liberação dos funkeiros com base em um benefício já concedido ao empresário Henrique Alexandre Barros Viana, conhecido como “Rato”, também envolvido na mesma investigação.
Apesar da soltura, os artistas devem seguir medidas cautelares impostas pela Justiça, incluindo a obrigação de informar seus endereços atualizados, comparecer a todas as audiências do processo e não deixar suas cidades por mais de cinco dias sem autorização judicial.
Além disso, MC Ryan e MC Poze do Rodo deverão se apresentar mensalmente à Justiça para reportar suas atividades e estão proibidos de sair do país sem permissão, tendo que entregar seus passaportes, se possuírem.
A Operação NarcoFluxo, deflagrada em abril, investigou um esquema que movimentou mais de R$ 1,6 bilhão, envolvendo lavagem de dinheiro, tráfico internacional de drogas e empresas de fachada. Durante a operação, além dos cantores, foram detidos o influenciador Chrys D e Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei, que tem mais de 27 milhões de seguidores no Instagram.
A Polícia Federal descobriu um sistema de lavagem de dinheiro que movimentou R$ 1,63 bilhão, levando à prisão dos MCs, sendo Ryan apontado como o principal responsável pela estrutura ilícita. Os investigados utilizavam recursos de origem criminosa, incluindo tráfico internacional de drogas, por meio de dinheiro em espécie, transferências bancárias e criptoativos, especialmente o Tether (USDT).
Os investigadores identificaram a utilização de estrutura empresarial para legitimar as movimentações financeiras, integrando recursos lícitos e ilícitos.
A investigação revela MC Ryan SP como o “líder” do esquema, controlando empresas de produção musical para misturar receitas legítimas e ilícitas. Sua defesa afirma que os valores em suas contas possuem origem comprovada, com seguimento de controles rigorosos e regularidade tributária.
Além de Ryan, outros envolvidos na operação incluíram pessoas com funções específicas no esquema, demonstrando uma organização complexa com hierarquia definida.
A PF descreve ainda como Raphael Sousa Oliveira atuava como “operador de mídia”, promovendo conteúdos favoráveis aos artistas e plataformas de apostas.
A Justiça também autorizou o bloqueio de bens e a apreensão de veículos e documentos durante a operação, que abrangeu ações em nove estados e no Distrito Federal, resultando em várias prisões e busca de evidências que podem reforçar as investigações.
Os investigados poderão enfrentar acusações por associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

