A Assembleia Legislativa de Mato Grosso realizou, na manhã desta terça-feira (13), uma audiência pública para debater políticas públicas voltadas ao transporte intermunicipal, com foco em estudantes universitários que residem em uma cidade e estudam em outra, além de pessoas com deficiência. A iniciativa foi proposta pelo deputado Lúdio Cabral e reuniu representantes de diversos segmentos.
Um dos principais pontos discutidos foi o Projeto de Lei Complementar (PLC) nº 48/2025, encaminhado pelo Governo do Estado, que institui o Plano de Mobilidade da Região Metropolitana do Vale do Rio Cuiabá (PlanMob-VRC). O texto já foi aprovado em primeira votação e aguarda nova análise em plenário ainda nesta semana.
O plano contempla municípios como Cuiabá, Várzea Grande, Santo Antônio do Leverger, Chapada dos Guimarães, Acorizal, Nossa Senhora do Livramento e Campo Verde, e busca organizar o transporte coletivo intermunicipal para atender cerca de 300 mil usuários diários. Entre as medidas previstas estão a integração tarifária, modernização de terminais e a implantação do sistema BRT.
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Durante o debate, Lúdio Cabral destacou a articulação para incluir emendas que garantam a gratuidade do transporte intermunicipal para estudantes, pessoas com deficiência e seus acompanhantes, além de considerar o impacto da futura operação do Hospital Universitário na mobilidade urbana da região.
Representando a Secretaria de Infraestrutura de Mato Grosso, o secretário adjunto Issac Nascimento ressaltou que a acessibilidade é um dos pilares do plano. Segundo ele, estão previstas adaptações como instalação de rampas, elevadores, sinalização em braille, além da ampliação da frota com veículos adaptados e capacitação de profissionais para atendimento inclusivo.
O gestor também destacou que o sistema BRT será integrado a um centro de controle operacional, responsável por monitorar em tempo real os veículos e garantir maior eficiência no cumprimento dos horários. A expectativa é que a infraestrutura viária esteja concluída entre agosto e setembro deste ano.
A falta de transporte para estudantes também foi um dos pontos críticos levantados na audiência. O diretor de extensão do Instituto Federal de Mato Grosso, campus São Vicente, Vitor Noronha, relatou que alunos enfrentam dificuldades para retornar às suas cidades nos fins de semana, muitas vezes recorrendo a caronas às margens da BR-163.
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Segundo ele, dos cerca de 700 estudantes matriculados no campus, aproximadamente 500 residem no local, enquanto os demais dependem de deslocamento diário. A instituição já mantém parcerias com municípios como Jaciara, Rondonópolis e Campo Verde, mas ainda busca ampliar o suporte com apoio das prefeituras.
Outro ponto de atenção é o impacto da mobilidade no acesso ao Hospital Universitário Júlio Müller. A arquiteta Thais Renostro Heine alertou que o fluxo diário estimado de até 5 mil pessoas, entre pacientes e trabalhadores, exigirá mais do que uma ou duas linhas de ônibus.
Ela destacou ainda a necessidade de planejamento integrado que considere não apenas o transporte de passageiros, mas também a logística de insumos hospitalares e a destinação de resíduos, além da conexão com casas de apoio localizadas na região central de Cuiabá.
A audiência reforçou a importância de alinhar o crescimento urbano da região metropolitana com políticas públicas eficientes de mobilidade, garantindo inclusão social, acessibilidade e segurança para a população.

