O candidato ao Governo de Mato Grosso Wellington Fagundes (PL) desafiou Otaviano Pivetta (Republicanos) a comprovar uma acusação envolvendo seu filho e afirmou que renuncia à candidatura caso a informação seja verdadeira. O confronto ocorreu nesta quinta-feira (1º), durante debate realizado pela TV Vila Real, afiliada da Record.
A discussão começou após Wellington contestar a afirmação de Pivetta de que uma empresa madeireira de Colniza, identificada como SGM e beneficiada por incentivos fiscais estaduais, pertenceria ao filho do candidato do PL.
Clique aqui para entrar em nosso grupo do whatsapp
Wellington negou a relação familiar com a empresa e colocou a própria candidatura em jogo caso Pivetta apresente provas da acusação.
“O senhor mentiu ontem dizendo que uma empresa madeireira de Colniza, SGM, que recebeu incentivos fiscais, é do meu filho. Eu quero aqui afirmar a toda a população que essa empresa não é e nunca foi do meu filho. E, se for verdade, eu renuncio ao meu mandato”, declarou.
Na sequência, Wellington cobrou que Pivetta assumisse o mesmo compromisso caso não conseguisse comprovar a afirmação.
“Eu quero saber se o candidato agora, se ele estiver mentindo, ele também renuncia ao seu mandato”, questionou.
Durante a tréplica, Pivetta tentou apresentar um documento, mas foi impedido pela organização devido às regras estabelecidas para o debate. Após ter o tempo restabelecido, o candidato do Republicanos não respondeu diretamente se aceitaria o desafio de Wellington e passou a defender a apresentação de propostas durante o programa.
Discussão sobre incentivos fiscais
O embate ocorreu durante uma discussão sobre a política de incentivos fiscais em Mato Grosso. Wellington questionou Pivetta sobre a diferença entre renúncia fiscal programática e não programática.
Na resposta, Pivetta abordou a industrialização do Estado, a arrecadação e o Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso (Prodeic), além de direcionar críticas a Wellington e sua família.
A política de incentivos fiscais ganhou espaço na campanha eleitoral nas últimas semanas. Levantamentos baseados em registros estaduais apontam que a Natural Pork Alimentos S.A., empresa com ligação empresarial histórica com Pivetta, acumulou aproximadamente R$ 491,97 milhões em benefícios tributários entre 2019 e 2025.
O recebimento de incentivo fiscal, por si só, não representa irregularidade. A Natural Pork aparece entre as empresas beneficiadas principalmente por mecanismos do Prodeic, programa destinado a estimular investimentos e a industrialização em Mato Grosso.
O assunto também chegou à Justiça Eleitoral. Em setembro, o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) negou pedido de Pivetta para retirar do ar uma propaganda eleitoral de Wellington que questionava incentivos concedidos pelo Estado e citava cerca de R$ 498 milhões relacionados a uma empresa ligada ao governador. Na decisão, o juiz entendeu que, naquele momento, não havia elementos suficientes para determinar a retirada da peça.
Wellington afirma ser favorável aos incentivos fiscais como instrumento para atrair investimentos, gerar empregos e ampliar a industrialização. O candidato, porém, defende mudanças nos critérios, maior transparência e ampliação do acesso aos benefícios para empresas de diferentes portes.

