O ex-secretário municipal de Educação de Cuiabá, Amauri Monge Fernandes, voltou ao centro de uma nova polêmica após reportagem do VG Notícias revelar que ele passou a constar como coproprietário de uma fazenda avaliada em mais de R$ 12 milhões, localizada em Chapada dos Guimarães, área que é alvo de disputa judicial e de questionamentos sobre sua regularidade ambiental.
Segundo a apuração, a Fazenda Quilombinho 2 foi adquirida em julho de 2022 por Bruno Frezzarin Andrade Monge Fernandes, filho de Amauri, em sociedade com o empresário Eduardo Scutti Garbugio. Em junho de 2026, porém, o Cadastro Ambiental Rural (CAR) passou a registrar Amauri como coproprietário do imóvel.
A propriedade é objeto de uma ação judicial movida pelos próprios compradores contra os antigos vendedores. No processo, eles alegam que a fazenda estaria praticamente inserida no Parque Nacional da Chapada dos Guimarães e em área da União sob processo de desapropriação pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o que inviabilizaria sua exploração econômica.
Mesmo diante dessa disputa, documentos apontam que Amauri firmou, em dezembro de 2025, um contrato para exploração agropecuária da área com Ronald Kemmp Santin Borges, ex-servidor da Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT), que trabalhou diretamente com ele e foi exonerado no mesmo decreto em fevereiro de 2024.
Pelo contrato, Ronald assume a gestão do empreendimento rural e teria direito a 20% do lucro líquido obtido com as atividades desenvolvidas na fazenda.
A revelação ocorre meses após Amauri deixar a Secretaria Municipal de Educação de Cuiabá, em meio às investigações sobre a compra de materiais didáticos que, segundo denúncias divulgadas pela própria Prefeitura de Cuiabá, poderiam ter causado prejuízo de até R$ 80 milhões aos cofres públicos.
Na época, o prefeito Abilio Brunini afirmou que a gestão da Secretaria de Educação era responsável pelas escolhas dos materiais adquiridos. Amauri, por sua vez, negou qualquer irregularidade e sustentou que os recursos foram aplicados dentro da legislação para cumprimento do percentual mínimo constitucional destinado à educação.
Além das investigações em Mato Grosso, Amauri também responde a uma ação de improbidade administrativa no Paraná relacionada à sua atuação no Consórcio de Desenvolvimento e Inovação do Norte do Paraná (Codinorp). O depoimento do ex-secretário está marcado para agosto deste ano.
Outro lado
Em nota encaminhada ao VG Notícias, Amauri Monge afirmou que apenas auxiliou o filho na análise do negócio e que ocupa a propriedade na condição de comodatário, utilizando a área mediante empréstimo gratuito.
Ele também afirmou que a família desconhecia eventuais sobreposições da fazenda com o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães e sustentou que a situação cadastral teria sido regularizada posteriormente.
Sobre a parceria com Ronald Kemmp Santin Borges, Amauri declarou que se trata apenas de um amigo que o auxilia no planejamento da utilização da área, negando qualquer irregularidade ou conflito de interesses.
Em relação às denúncias envolvendo a compra de materiais didáticos durante sua gestão na Secretaria Municipal de Educação, o ex-secretário reiterou que não existiu contrato de R$ 80 milhões e negou qualquer prática irregular.
Até o momento, não há decisão judicial definitiva ou parecer conclusivo dos órgãos de controle sobre os fatos relacionados tanto à fazenda quanto às investigações envolvendo a gestão de Amauri Monge na Educação de Cuiabá.
Fonte: VG Noticias

