A ex-vereadora Edna Sampaio fez duras críticas à condução do Partido dos Trabalhadores (PT) na definição da estratégia para a disputa ao Senado em Mato Grosso. Em vídeo divulgado nas redes sociais nesta terça-feira (2), a petista afirmou que foi preterida pela sigla e acusou o partido de reproduzir práticas racistas ao não levar adiante seu nome para a eleição.
A declaração ocorre após a consolidação do apoio do grupo político ligado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva à candidatura do senador Carlos Fávaro (PSD) para uma das vagas ao Senado, enquanto a segunda vaga deverá ser ocupada pelo ex-governador Pedro Taques (PSB).
Segundo Edna, a decisão foi tomada sem debate interno no diretório estadual. A ex-vereadora afirmou que a presidente estadual do PT, Rosa Neide, transferiu a discussão para a direção nacional para evitar enfrentar a disputa política dentro da legenda.
“De nenhuma forma, eu trago isso como uma mágoa ou como uma questão pessoal. O racismo não é sobre mim, não é sobre meu corpo, não é sobre a minha capacidade, não é sobre a possibilidade de uma mulher como eu, qualificada, capaz de fazer o debate público, assumir um espaço como esse. E é por isso, e não por coincidência, e não pelo acaso, que não temos mulheres negras ocupando espaços de poder em Mato Grosso”, declarou.
A suplente da Assembleia Legislativa disse que o episódio reflete o que classificou como estruturas que dificultam o acesso de mulheres negras a posições de destaque na política.
“Uma decisão que foi tomada em nível nacional, sem sequer ter sido feita a discussão em nível estadual. Foi a resposta para o nome de uma mulher preta colocada para a disputa ao Senado aqui em Mato Grosso. Não foi o PT nacional que escolheu Pedro Taques para representar o nosso campo na segunda vaga ao Senado. Foi o PT de Mato Grosso que terceirizou a discussão para o nacional, justamente para não enfrentar o debate sobre quem representa melhor o nosso campo nestas eleições”, afirmou.
Edna também questionou a escolha de Pedro Taques para representar o grupo político alinhado ao campo progressista. Na avaliação da ex-vereadora, o ex-governador não possui trajetória compatível com as pautas defendidas pela esquerda.
“Pedro Taques é um homem conservador, lavajatista, que sempre defendeu princípios completamente opostos ao que dedicamos nossa vida para lutar. Mas, se o Partido dos Trabalhadores, em sua maioria na direção, prefere que o Pedro Taques represente o nosso campo nestas eleições, eu vou dizer para vocês, respeito a maioria”, disse.
O posicionamento da petista foi divulgado poucos dias após ela tornar pública uma divergência interna envolvendo integrantes da direção do partido. Em nota divulgada na semana passada, Edna acusou os correligionários Nelson Borges, Edilson Sphentof e Denilson D’arc de terem a constrangido durante uma reunião executiva realizada na última quinta-feira (28).
De acordo com a ex-vereadora, durante o encontro foram feitas referências ao episódio que resultou em sua cassação na Câmara de Cuiabá, em 2023. Na ocasião, Edna foi investigada por suposta prática de rachadinha envolvendo a verba indenizatória de sua então chefe de gabinete, Laura Natasha Abreu, que estava grávida na época em que foi exonerada. A petista sempre negou as acusações.
Na nota, ela afirmou ter sido alvo da repetição de acusações que considera falsas.
“Um companheiro utilizou contra mim um argumento que me é caro e sensível, reproduzindo a mesma narrativa mentirosa e desonesta que, durante muito tempo, foi utilizada para tentar transformar minha trajetória de luta em uma farsa, para atacar minha honra e desmoralizar minha história pública. Ouvir, dentro da direção do partido do qual sou segunda vice-presidenta, a repetição de uma mentira tantas vezes utilizada para violentar minha imagem, foi algo que não pude suportar em silêncio. Levantei minha voz porque me senti ultrajada”, afirmou.
A ex-parlamentar classificou o episódio como lamentável e desafiou os três dirigentes partidários para um debate público com transmissão ao vivo.
“O mais grave é perceber que, diante de uma situação de violência contra uma mulher, parte significativa da direção partidária naturaliza ou considera irrelevante esse tipo de comportamento. Isso é inaceitável. Minha coragem nunca me faltou. Um debate feito às claras, como deve ocorrer entre pessoas honradas e comprometidas com a verdade”, concluiu.

