A deputada federal Sâmia Bomfim interrompeu nesta quarta-feira (27) uma entrevista concedida pelo deputado Nikolas Ferreira para protestar contra a posição do Partido Liberal (PL) em relação à PEC que prevê o fim da escala de trabalho 6×1.
Durante a gravação, Sâmia tentou entregar ao parlamentar um frasco de óleo de peroba, produto popularmente utilizado como símbolo de ironia para críticas relacionadas à suposta “cara de pau”. Segundo a deputada, o gesto tinha o objetivo de expor o que classificou como contradição do PL no debate sobre a redução da jornada de trabalho.
“O eleitorado entende com imagem, talvez didaticamente é isso que estou fazendo. É óleo de peroba de quem está contra o trabalhador e agora tentou apresentar uma emenda. Apresenta uma carteira de trabalho, Nikolas Ferreira, assinada na escala 6×1”, afirmou Sâmia.
A manifestação ocorreu após o PL apresentar um destaque à PEC 221/2019. O relatório aprovado na comissão especial prevê a adoção da escala 5×2, enquanto a bancada liberal defende a votação da versão original da proposta, que estabelece escala 4×3.
Nos bastidores, a estratégia do partido seria pressionar o governo federal a defender publicamente uma alternativa considerada “menos favorável” aos trabalhadores.
Nikolas reagiu de forma irritada à intervenção da colega. “Ela quer aparecer. Ela não tem voto, precisa de mim para ganhar voto. Ela quer aparecer, já está desesperada, é ano eleitoral. Você quer entrevistar o Psol? Porque se quiser eu troco aqui com ela, porque ela está doida por atenção”, declarou o deputado durante a entrevista.
A PEC 221/2019 é debatida pelo Plenário da Câmara dos Deputados e propõe a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, garantindo dois dias de descanso sem redução salarial.
O texto também prevê flexibilizações para categorias consideradas essenciais, como saúde e segurança pública, além de permitir negociações diferenciadas para trabalhadores classificados como “hipersuficientes”, aqueles com ensino superior e maior faixa salarial.
A proposta integra a agenda econômica prioritária do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para 2026 e é analisada em meio ao calendário eleitoral, já que o Congresso Nacional entra em recesso em julho e retoma os trabalhos apenas após o primeiro turno das eleições.

