O presidente Lula (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se reúnem, nesta quinta-feira (7), em Washington. Em vídeo divulgado pelo governo norte-americano, é possível ver o momento em que Trump recebe Lula.
Os dois trocam um aperto de mão e o presidente norte-americano pergunta como Lula está.
O primeiro contato dos dois não teve o famoso aperto de mão de urso do americano. A maneira incomum como Donald Trump aperta a mão das pessoas já rendeu muitos comentários e análises para entender se essa seria uma técnica usada pelo presidente americano para tentar afirmar poder ou superioridade.
Segundo a programação divulgada pela Casa Branca, os dois ainda vão se reunir no Salão Oval e depois participar de um almoço bilateral na Sala do Gabinete da Casa Branca.
Segundo apuração da jornalista Raquel Krähenbühl, da TV Globo, o encontro será uma “visita de trabalho”, formato menos formal do que uma reunião bilateral tradicional.
A reunião é vista como um passo para normalizar as relações comerciais entre os dois países, após os EUA aplicarem tarifas contra produtos brasileiros e sanções contra autoridades nacionais.
Contexto: Esta será a segunda reunião presencial entre Lula e Trump. Em outubro, os dois se encontraram durante um evento na Malásia. Um mês antes, conversaram rapidamente durante a Assembleia Geral da ONU.
Antes do encontro, Lula e Trump falaram por telefone na sexta-feira (1º). O governo brasileiro disse que a conversa foi “amistosa”.
Pelo menos cinco temas devem centralizar as conversas:
Um dos principais pontos será a pressão para classificar facções brasileiras, como o PCC e o Comando Vermelho, como organizações terroristas. O governo brasileiro tenta convencer os norte-americanos de que o combate ao crime organizado deve ocorrer por meio de cooperação bilateral, sem medidas que possam abrir margem para ações mais duras dos EUA.
Outro tema sensível será o PIX. Os EUA investigam possíveis impactos do sistema brasileiro sobre empresas americanas de pagamentos eletrônicos. O governo Lula pretende defender que o PIX não discrimina companhias estrangeiras e usar o encontro para evitar possíveis medidas contra o Brasil relacionadas ao sistema.
Questões internacionais também devem entrar na pauta. Lula e Trum
têm divergências sobre temas como Venezuela, Irã e o papel dos EUA em conflitos globais. O presidente brasileiro tem defendido maior fortalecimento da ONU e criticado posturas consideradas unilaterais do governo americano.
A reunião também deve abordar minerais críticos e terras raras, considerados estratégicos para tecnologia e transição energética. Além disso, segundo o blog da Andreia Sadi, Lula pretende usar o encontro como ativo político, buscando um compromisso informal de não interferência dos EUA nas eleições brasileiras de outubro e tentando reforçar sua imagem de liderança internacional.

