O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão da divulgação de uma pesquisa eleitoral da AtlasIntel que apontava queda de cinco pontos percentuais nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro na corrida presidencial.
A decisão atende a um pedido apresentado pelo Partido Liberal (PL), que alegou supostas irregularidades na elaboração do questionário utilizado pelo instituto. Segundo a legenda, algumas perguntas teriam sido estruturadas de forma a induzir respostas negativas contra o pré-candidato.
Com a medida, os dados não poderão mais ser mantidos ou divulgados nos canais oficiais da empresa até nova deliberação da Justiça Eleitoral.
Ministro vê possível indução de respostas
Na decisão, Nunes Marques afirmou que a discussão não se limita a uma simples divergência metodológica, mas envolve suspeitas de que o questionário possa ter influenciado a percepção dos entrevistados antes da coleta das respostas.
Para o magistrado, há indícios de que determinadas perguntas possam ter funcionado como mecanismo de indução, comprometendo a neutralidade da pesquisa.
“A controvérsia suscitada nos autos não se limita, portanto, à mera discordância quanto às escolhas metodológicas da representada, mas envolve alegação objetiva de possível utilização do questionário como mecanismo de indução do entrevistado”, destacou.
O ministro também afirmou que pesquisas eleitorais não podem ser utilizadas para criar narrativas políticas ou produzir efeitos semelhantes aos de propaganda eleitoral negativa.
“Essa cadeia produz contexto, não mera medição. A pesquisa, da maneira heterodoxa em que formulada, pode criar, indevidamente, manchetes e narrativas de campanha baseadas em resultados obtidos após estímulo negativo. Isso desvirtua a função informativa da pesquisa eleitoral e permite que o instrumento de medição se converta em meio indireto de propaganda negativa”, escreveu.
Perguntas sobre Banco Master estão no centro da disputa
A ação do PL questiona principalmente uma sequência de perguntas relacionadas ao Banco Master, ao empresário Daniel Vorcaro e ao próprio Flávio Bolsonaro.
Segundo o partido, oito questões foram apresentadas em sequência, criando um contexto que poderia influenciar a avaliação dos entrevistados antes da aferição das intenções de voto.
Entre os questionamentos contestados estão perguntas sobre confiança entre Lula e Flávio Bolsonaro, supostas fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, mensagens vazadas atribuídas ao senador e possíveis impactos políticos dessas informações.
Para a legenda, a estrutura do questionário teria utilizado técnicas conhecidas como “priming”, “framing” e “ancoragem”, mecanismos que podem influenciar a forma como o entrevistado interpreta os temas apresentados.
Pesquisa apontava queda do senador
O levantamento foi realizado entre os dias 13 e 18 de maio com 5.032 eleitores em todo o país.
Segundo o instituto, a margem de erro era de um ponto percentual, com nível de confiança de 95%.
Os resultados indicavam redução de cinco pontos percentuais nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro em relação ao levantamento anterior.
Foi justamente essa pesquisa que motivou a ação judicial apresentada pelo PL.
Instituto terá de prestar esclarecimentos
Além da suspensão da divulgação dos dados, o presidente do TSE determinou que a AtlasIntel apresente documentação complementar detalhando os critérios metodológicos utilizados na pesquisa.
O instituto também deverá esclarecer à Corte o uso de um áudio mencionado na ação e explicar de que forma o material foi incorporado ao levantamento.
O Ministério Público Eleitoral também foi intimado para emitir parecer sobre o caso.
Relatoria concentra casos envolvendo Flávio e Banco Master
A controvérsia ocorre em meio à chegada de outros processos ligados ao senador ao gabinete de Nunes Marques.
Entre eles estão ações relacionadas ao Banco Master, ao empresário Daniel Vorcaro e ao financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Recentemente, o ministro designou a si próprio e ao ministro André Mendonça como juízes auxiliares das eleições de 2026, função normalmente exercida por ministros substitutos ou integrantes oriundos da advocacia.
A decisão que suspendeu a pesquisa ainda deverá ser submetida ao plenário do TSE, que decidirá se mantém ou revoga a medida adotada individualmente pelo presidente da Corte.

