A Polícia Federal apreendeu 16 armas de fogo, aproximadamente 6 mil munições, R$ 600 mil em espécie, US$ 25 mil e € 10 mil durante buscas realizadas contra o servidor Jocimauro Bento do Carmo, técnico de Controle Externo do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT). A ação ocorreu na quinta-feira (29), durante a Operação Tomada de Contas, que investiga um esquema de desvio de recursos públicos na instituição.
Durante o cumprimento do mandado, os agentes encontraram 15 armas no escritório localizado dentro do apartamento do servidor e um revólver em seu veículo. Conforme as informações divulgadas, 15 armas possuíam registro, enquanto o revólver estava irregular.
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Além do armamento, os policiais localizaram dinheiro em moeda nacional e estrangeira, armazenado em cofres, bolsas, mochilas e sacolas. Também houve apreensão de ouro.
Jocimauro foi preso em flagrante, mas acabou liberado após pagar fiança de R$ 97.260, equivalente a 60 salários mínimos.
Servidor teria recebido mais de R$ 3 milhões
As investigações apontam que Jocimauro teria sido beneficiado com pagamentos superiores a R$ 3 milhões dentro do esquema investigado no TCE-MT.
Desse montante, aproximadamente R$ 1,8 milhão teria sido transferido por meio de 32 ordens bancárias avulsas, envolvendo cinco contas distribuídas em três instituições financeiras.
A Polícia Federal identificou saques realizados em setembro e outubro de 2025. Entretanto, os investigadores ressaltaram que não existem elementos suficientes para afirmar que Jocimauro tenha participado diretamente dos saques ou do transporte do dinheiro.
O servidor também foi afastado das funções públicas e está proibido de frequentar as dependências do TCE-MT e manter contato com outros investigados.
Operação investiga desvio estimado em R$ 145 milhões
A Operação Tomada de Contas apura irregularidades em contratos administrativos e pagamentos realizados pelo Tribunal de Contas.
Segundo a investigação, o esquema utilizaria justificativas de dificuldades orçamentárias para suspender contratos, enquanto determinados fornecedores continuariam recebendo recursos públicos. Parte desses pagamentos teria sido posteriormente direcionada a integrantes do grupo investigado.
O prejuízo sob investigação é estimado em R$ 145 milhões, valor que ainda não representa uma quantia definitivamente comprovada como desviada.
A operação também resultou na prisão preventiva do presidente do TCE-MT, Sérgio Ricardo de Almeida, apontado pela Polícia Federal como líder do esquema.
Ao todo, seis pessoas foram presas preventivamente, e 26 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo.
No balanço geral da operação, a Polícia Federal contabilizou mais de R$ 4,3 milhões em dinheiro, 167 relógios, 31 veículos, 27 celulares, 16 armas e 6.512 munições apreendidos.
As investigações continuam, e os envolvidos poderão responder por crimes contra a Administração Pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

