O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, Max Russi (Podemos), manifestou nesta quarta-feira (6) que não se opõe à redução drástica do uso de emendas parlamentares para a contratação de shows e eventos, admitindo a possibilidade de zerar esse percentual. A sinalização ocorre em resposta à intenção do Executivo estadual de restringir esse tipo de gasto, mas Russi estabeleceu uma condição central para o avanço da medida: a garantia de que o Estado assuma o financiamento de eventos culturais e tradicionais que movimentam a economia local.
Segundo o parlamentar, a alteração depende de uma mudança na legislação atual pelo próprio Parlamento. Russi defendeu que o cenário ideal seria a Secretaria de Cultura assumir diretamente a organização e o fomento de grandes celebrações, citando como exemplos fundamentais o Festival de Inverno de Chapada dos Guimarães, a Cavalhada de Poconé e o Festival de Pesca de Cáceres. Para o presidente da Casa, essas festividades compõem uma indústria que impulsiona o turismo, a rede hoteleira e o comércio nos municípios mato-grossenses.
Divergência sobre o Momento da Votação
Apesar da disposição de Max Russi em debater o tema, a proposta enfrenta resistência quanto ao cronograma de votação:
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O líder do governo na Assembleia, Dilmar Dal Bosco (União), declarou que não existe ambiente político para discutir a limitação de gastos antes do término do período eleitoral.
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Dal Bosco argumentou que uma mudança imediata prejudicaria prefeitos que já realizaram contratações antecipadas de artistas com base nos recursos previstos.
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O líder governista sugeriu que o debate seja adiado para o final do ano ou início de 2027, ressaltando que qualquer alteração na divisão das emendas impositivas — hoje fixadas em 50% para a saúde e 50% de livre destinação — exige uma análise técnica mais profunda.
A Proposta do Governo
A iniciativa enviada pelo Executivo visa estabelecer um teto de 10% sobre a parcela de livre destinação das emendas impositivas para o financiamento de eventos. Embora reconheça a proposta como uma medida de precaução do governador, a bancada parlamentar enfatiza que a manutenção do calendário cultural do estado é inegociável para a viabilidade do projeto.
Fonte Olhar Direto

