A adoção de práticas voltadas ao bem-estar animal pode reduzir prejuízos e aumentar a rentabilidade da pecuária. O tema foi abordado pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) durante o Boi Brasilis Conecta 2026, realizado nesta quarta-feira (14), em Cuiabá. O encontro reuniu produtores rurais e especialistas para discutir estratégias de eficiência produtiva e gestão das propriedades.
Representando a entidade, o vice-presidente e coordenador da Comissão de Pecuária da Famato, Amarildo Merotti, participou de uma mesa-redonda sobre os desafios do setor. O debate foi conduzido pelo gerente regional de bovinos da Agroceres Multimix, Neimar Urzedo, e contou com a participação de Arlindo Vilela, diretor do Grupo Novapec, e Wallace Barboza, especialista em desenvolvimento de mercado da UPL.
Clique aqui para entrar em nosso grupo do whatsapp
Durante a discussão, Merotti ressaltou que cuidados básicos, como fornecimento de água, controle sanitário e manejo adequado, influenciam diretamente o desempenho dos animais e os resultados financeiros das fazendas.
“A bandeira não foi feita para bater, mas para conduzir o animal com cuidado, e isso é algo de que temos cada vez mais certeza. O bem-estar animal não é apenas uma questão de cuidado, mas também de produtividade. O boi no curral não tem pressa; o manejo precisa ser feito com tranquilidade, porque isso faz diferença no resultado final da fazenda”, destacou.
Mortalidade de bovinos pode gerar prejuízos superiores a R$ 200 mil
Outro ponto discutido no evento foi o impacto financeiro provocado pela morte de animais. O CEO da Gesta UpCompany, Welton Cabral, apresentou uma simulação que considera um bovino de 583 quilos, rendimento de carcaça de 56% e arroba cotada a R$ 370. Nessas condições, o faturamento estimado por animal abatido chega a R$ 8.057.
Em uma propriedade com 5 mil bovinos, uma mortalidade de 0,5% corresponde à perda de 25 animais, o que representa aproximadamente R$ 201 mil em faturamento potencial não realizado.
Os números demonstram a importância do acompanhamento dos indicadores do rebanho e da adoção de medidas preventivas para evitar perdas econômicas.
A sustentabilidade também integrou os debates. Conforme dados apresentados durante o encontro, 65% do território brasileiro possui cobertura de vegetação nativa, enquanto 33,2% corresponde a áreas preservadas dentro de propriedades rurais.
O aprimoramento das pastagens e o uso eficiente das áreas produtivas foram apontados como alternativas para ampliar a produção sem deixar de lado a conservação ambiental.
Fortalecimento das entidades rurais
Além dos aspectos produtivos, Amarildo Merotti defendeu maior participação dos pecuaristas nas entidades representativas, como os sindicatos rurais e a própria Famato.
Segundo ele, a organização dos produtores é necessária para fortalecer a atividade, enfrentar os desafios do setor e ampliar a participação das novas gerações nas decisões relacionadas ao agronegócio.
“Sem união, nós não chegamos a lugar nenhum. Precisamos fortalecer nossas entidades, participar e dedicar um pouco do nosso tempo ao trabalho coletivo. As entidades são fundamentais para construir um setor forte, mas precisamos de pessoas comprometidas para dar continuidade a esse trabalho. É importante que os jovens também assumam essa responsabilidade e ajudem a construir o futuro da pecuária”, concluiu Amarildo.

