A conduta do prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), durante uma audiência pública no bairro Pedra 90, desencadeou uma forte reação institucional da Associação Brasileira de Mulheres de Carreiras Jurídicas de Mato Grosso (ABMCJ-MT). Em nota oficial, a entidade manifestou repúdio à forma como o chefe do Executivo interpelou a vereadora Baixinha Giraldeli (Solidariedade), classificando o episódio como uma possível prática de violência política de gênero. Segundo a associação, o prefeito utilizou o microfone para desqualificar e subestimar a capacidade técnica da parlamentar, ferindo o decoro exigido pelo cargo público.
O confronto ocorreu em um ambiente de alta tensão, onde a discussão técnica sobre o Plano Diretor de Cuiabá foi substituída por um embate direto. Durante o evento, Abilio interrompeu questionamentos da vereadora, sugerindo que ela não compreendia o tema em debate. Para a ABMCJ-MT, tal atitude não se limitou à crítica política, mas configurou uma tentativa de constrangimento e silenciamento de uma mulher em posição de liderança, o que deslegitima o exercício de seu mandato.
Audiência Fora de Controle
O episódio no Pedra 90 foi marcado por um clima de hostilidade generalizada:
Confronto com Lideranças: Além do embate com a vereadora, o prefeito enfrentou representantes comunitários e moradores.
Acusações Graves: Abilio acusou lideranças locais e gestões anteriores de envolvimento em parcelamentos irregulares de terra e venda de lotes sem infraestrutura.
Tumulto: A reunião terminou entre vaias, trocas de ofensas e provocações mútuas, evidenciando o desgaste na relação entre a prefeitura e a comunidade local.
Posicionamento Jurídico
A nota da ABMCJ-MT fundamenta o repúdio citando a Lei nº 14.192/2021, que estabelece normas para prevenir e combater a violência política contra a mulher. A entidade ressaltou que a liberdade de expressão não autoriza ofensas e que o espaço público deve ser pautado pela urbanidade e pelo respeito mútuo. Ao final do documento, a associação convocou a sociedade e as instituições a não naturalizarem falas que reforcem estigmas e enfraqueçam a representatividade feminina na política.
Fonte VG Notícias

