A deputada federal Coronel Fernanda (PL) utilizou as redes sociais para comentar a Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (6), e aproveitou para rebater declarações do prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), sobre a aliança entre PL e MDB em Mato Grosso. A parlamentar afirmou que “porcaria estava do lado de lá” e questionou a postura do correligionário diante das investigações que atingem aliados políticos.
A Operação Heritage tem como alvos o ex-governador Mauro Mendes (União), a primeira-dama Virginia Mendes, filhos do casal, o deputado federal Fábio Garcia (União), candidato a vice-governador, o desembargador Ricardo Gomes de Almeida, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), o conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Ulisses Rabaneda, além do secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho, sua esposa e os pais de Fábio Garcia. A investigação apura um suposto esquema de desvio de mais de R$ 308 milhões em um acordo firmado entre o Governo de Mato Grosso e a operadora Oi.
Ao comentar a operação, Coronel Fernanda também respondeu às críticas feitas por Abilio Brunini na quarta-feira (5). Na ocasião, o prefeito afirmou que não apoiaria a aliança entre PL e MDB porque, segundo ele, no grupo “só tem porcaria”, ao citar escândalos envolvendo o ex-governador Silval Barbosa e o ex-deputado estadual José Riva, pai da deputada Janaina Riva (MDB).
A deputada participou da convenção partidária realizada na terça-feira (5), que oficializou a coligação entre PL e MDB e lançou o senador Wellington Fagundes (PL) como candidato ao Governo do Estado, tendo José Medeiros (PL) e Janaina Riva (MDB) como candidatos ao Senado.
Em resposta ao prefeito, Fernanda defendeu a composição e afirmou que sua trajetória não pode ser associada às críticas feitas por Abilio.
“Eu estava lá e não sou porcaria, nunca fui e nunca serei. Eu tenho nome a zelar, tenho uma história para defender. Eu não dou recado, falo diretamente. Porcaria estava do lado de lá e não do lado que estou. Cada um responde pelos seus atos. E para quem disse que lá só tem porcaria, vou dizer só uma coisa: oi!”, disparou.
A parlamentar também questionou a legitimidade das críticas feitas pelo prefeito diante das investigações conduzidas pela Polícia Federal.
“Agora eu pergunto: quem está ao lado de pessoas envolvidas em suspeitas de desvios tem autoridade para chamar os outros de ‘porcaria’?”, afirmou.
Abilio Brunini recebeu apoio de Mauro Mendes no segundo turno das eleições municipais de 2024. Para o pleito deste ano, o prefeito declarou que permanecerá neutro por manter amizade com o governador Otaviano Pivetta (Republicanos), candidato à reeleição, cuja chapa tem Fábio Garcia como candidato a vice-governador.
Coronel Fernanda também mencionou que possíveis irregularidades relacionadas ao caso já haviam sido apontadas durante a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, da qual é autora. Ao justificar a aliança entre PL e MDB, afirmou que a composição busca fortalecer um projeto nacional.
“Estive no palanque do MDB, onde vamos reunir o maior número de partidos para trabalhar o nome do senador Flávio Bolsonaro à Presidência. São ações momentâneas que precisamos tomar. Temos um objetivo maior, que é tirar o PT do Governo. Mas há grupos pensando apenas em interesses pessoais e locais”, concluiu.
Operação Heritage
Conforme já divulgado pela imprensa, a investigação da Polícia Federal aponta que parte dos recursos supostamente desviados do Estado teria sido direcionada a fundos de investimento administrados por empresas ligadas à família do ex-governador Mauro Mendes.
Segundo as apurações, também foram identificados repasses financeiros que beneficiariam diretamente familiares do ex-governador, além da utilização de uma fintech — investigada em outras operações de grande porte — para, supostamente, ocultar a origem dos recursos.
A Operação Heritage identificou a existência de um suposto “núcleo político e financeiro” responsável pela movimentação dos valores investigados. Entre as medidas determinadas pela Justiça estão a quebra dos sigilos bancário e fiscal de 85 pessoas e a proibição de alguns investigados deixarem o país.
De acordo com a Polícia Federal, o esquema teria transformado a dívida da Oi em um “caixa eletrônico” para políticos locais e é apontado como uma das maiores fraudes já investigadas em Mato Grosso, envolvendo a movimentação de mais de R$ 308 milhões por meio de diversos fundos de investimento.

