Augusto Cury entrou na disputa presidencial de 2026 como um nome até então pouco familiar ao eleitorado político, mas conhecido por milhões de brasileiros por meio de seus livros, palestras e conteúdos sobre comportamento e inteligência emocional. Agora, o escritor começa a protagonizar um movimento que chama atenção: depois do primeiro debate presidencial, sua presença nas redes sociais disparou.
Cury tinha cerca de 8,3 milhões de seguidores no Instagram antes do debate e, segundo levantamentos publicados nesta quinta-feira (27), já se aproxima de 9,6 milhões — um crescimento superior a 1 milhão de seguidores em poucos dias.
O número, por si só, não significa votos. Mas revela algo importante em uma eleição cada vez mais influenciada pelo ambiente digital: há interesse em ouvir o que Cury tem a dizer.
E é justamente aí que começa o hype.
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A pergunta que voltou a aparecer
Em meio à disputa marcada pela polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro, Cury tenta ocupar um espaço diferente. Seu discurso aposta menos no confronto direto e mais na ideia de pacificação, educação, saúde mental, desenvolvimento humano e mudança na forma de fazer política.
Durante o debate, o candidato criticou a polarização e defendeu uma política baseada no diálogo. A postura contrastou com o tom mais agressivo adotado por outros participantes e ajudou a colocar seu nome no centro das conversas nas redes.
O movimento acontece em um cenário no qual Lula e Flávio Bolsonaro concentram as maiores intenções de voto, mas também carregam índices elevados de rejeição. No Datafolha divulgado em agosto, 45% dos entrevistados afirmaram que não votariam em Lula de jeito nenhum, enquanto 46% fizeram a mesma afirmação sobre Flávio.
É nesse espaço de insatisfação que surge a pergunta que começa a ganhar força nas redes:
E se uma parcela do eleitorado estiver procurando alguém fora da velha polarização?
Da internet para a urna
Cury ainda está distante dos líderes nas pesquisas. No Datafolha, ele aparece com 2% das intenções de voto; no BTG/Nexus, também registra 2%. Já na pesquisa PoderData divulgada nesta quinta-feira (27), chegou a 4%, empatado com Ronaldo Caiado e Renan Santos entre os nomes que aparecem atrás dos dois líderes.
Ou seja: o fenômeno digital ainda não virou fenômeno eleitoral.
Mas existe uma diferença importante entre Cury e outros candidatos da chamada terceira via: ele já chega à corrida presidencial com uma audiência gigantesca construída antes da política.
Com mais de 9 milhões de seguidores, o escritor possui uma máquina de comunicação própria que não depende exclusivamente de televisão, horário eleitoral ou grandes estruturas partidárias.
Isso ajuda a explicar por que seu crescimento passou a chamar atenção.
O fator “fora de Lula e Bolsonaro”
A eleição de 2026 continua fortemente polarizada. Lula e Flávio aparecem na frente nas pesquisas e dominam boa parte do debate público. Ao mesmo tempo, nomes como Cury, Caiado, Zema e Renan Santos tentam conquistar o eleitor que não se identifica com os dois polos principais.
Cury, entretanto, apresenta uma característica diferente: sua principal força não nasceu dentro da política.
Ele construiu durante décadas uma imagem associada à inteligência emocional, comportamento e desenvolvimento humano. A candidatura tenta transformar essa autoridade conquistada fora das urnas em capital político.
É uma aposta ousada.
E ainda não está claro se os milhões que acompanham o escritor estão dispostos a transformar curtidas, comentários e compartilhamentos em votos.
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O fenômeno está apenas começando?
A explosão de seguidores coloca Cury diante de uma oportunidade que poucos candidatos conseguem ter: transformar curiosidade em intenção de voto.
O próprio crescimento nas redes mostra que existe público disposto a conhecê-lo melhor. A dúvida agora é se esse público representa apenas pessoas interessadas no personagem político que surgiu recentemente ou se existe, de fato, um eleitorado procurando uma alternativa aos dois principais polos.
O Avante oficializou Cury como candidato à Presidência no início de agosto. Na ocasião, ele defendeu, entre outras propostas, a adoção do semipresidencialismo no Brasil.
Nas próximas semanas, a campanha terá de responder à principal questão colocada pelo momento:
Augusto Cury é apenas o novo fenômeno das redes ou pode se transformar na surpresa eleitoral de 2026?
Por enquanto, as pesquisas ainda colocam o escritor atrás dos líderes.
Mas uma coisa já mudou.
O nome Augusto Cury entrou definitivamente na conversa.

