José Augusto Minarelli
A Lei da Aprendizagem estabelece uma obrigação para muitas empresas. Mas a lei, por si só, não forma profissionais. Ela cria a oportunidade. Quem transforma essa oportunidade em uma carreira é a liderança. Ao ler depoimentos de ex-aprendizes, um aspecto chama a atenção: eles raramente falam da legislação. Quase nunca mencionam a cota. O que permanece na memória são as pessoas. O líder que ensinou. O gestor que teve paciência. Quem acreditou no seu potencial. Quem orientou nos primeiros desafios. Quem corrigiu sem desestimular. Quem confiou.
Esses relatos revelam uma verdade simples. O Programa Aprendiz começa na lei. Mas seu sucesso depende da liderança. Não basta receber um jovem na empresa. É preciso acolhê-lo. Ensinar. Orientar. Ouvir. Dar retorno. Estimular sua curiosidade. Permitir que aprenda com os erros. Mostrar-lhe como funciona o ambiente profissional. Mais do que supervisionar tarefas, o líder forma pessoas. O jovem aprendiz chega sem experiência. Mas não chega sem talento.
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Chega com vontade de aprender. Com expectativa. Com sonhos. Muitas vezes, aquela é a sua primeira oportunidade de trabalho e também a primeira experiência concreta de responsabilidade profissional. A forma como será recebido poderá influenciar toda a sua trajetória.
Ao longo da minha carreira acompanhei inúmeros casos de jovens que iniciaram como aprendizes, foram efetivados, cresceram profissionalmente e assumiram posições de liderança. O que havia em comum entre eles? Além da dedicação pessoal, encontraram líderes que lhes ensinaram, confiaram em seu potencial e lhes deram oportunidade para crescer. É por isso que costumo dizer que o líder não administra apenas aprendizes. Ele ajuda a formar os profissionais de que a própria empresa precisará no futuro.
Cada jovem pode representar um futuro analista. Um especialista. Um supervisor. Um gerente. Talvez até um diretor. Quando o líder compreende essa responsabilidade, deixa de enxergar o aprendiz apenas como alguém que precisa cumprir tarefas. Passa a vê-lo como um investimento em pessoas.
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Os melhores programas de aprendizagem não são necessariamente aqueles que apenas cumprem a legislação. São aqueles em que os líderes assumem o compromisso de desenvolver gente. Empresas que enfrentam dificuldades para contratar profissionais qualificados encontram, na aprendizagem, uma oportunidade de formar seus próprios talentos. Mas isso somente acontece quando a liderança participa desse processo. Os depoimentos de tantos ex-aprendizes deixam uma lição valiosa. Eles não agradecem apenas pela vaga. Agradecem pelas pessoas que acreditaram neles.
O maior legado de um líder talvez não seja apenas entregar resultados. Seja formar pessoas. Pessoas que um dia formarão outras pessoas. É assim que uma empresa constrói uma cultura de desenvolvimento. É assim que surgem novas lideranças. É assim que o Programa Aprendiz cumpre sua verdadeira missão. A lei abre a porta. A liderança transforma oportunidade em desenvolvimento. E o aprendiz transforma essa oportunidade em uma carreira. Todos ganham, a Empresa, o Jovem, a Escola e o Brasil.
*José Augusto Minarelli, presidente do Sistema Nacional do Centro de Integração Empresa-Escola – CIEE e presidente do Conselho de Administração do CIEE/SP
CIEE 62 anos: Imparável
Desde sua fundação, o Centro de Integração Empresa-Escola – CIEE, maior ONG de inclusão social e trabalho jovem da América Latina, se dedica à inserção de jovens no mundo do trabalho. Além disso, a instituição, responsável pela inserção de 7 milhões de brasileiros no mundo do trabalho, mantém cursos online gratuitos para qualificar a juventude e uma série de ações socioassistenciais voltada à promoção do conhecimento e fortalecimento de vínculos de populações prioritárias.
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