Depois de enfrentar três cirurgias e um longo tratamento contra o câncer de mama, Carmelinda Farias Aguiar, de 62 anos, transformou sua experiência em uma forma de ajudar outras mulheres. Atualmente, ela dedica parte do seu tempo ao acolhimento de pacientes atendidas pela Rede Feminina de Combate ao Câncer de Sinop (REFCCS), no norte de Mato Grosso.
A história ganhou destaque durante a campanha Outubro Rosa, que reforça a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do tratamento do câncer de mama.
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Carmelinda descobriu a doença em estágio avançado, apesar de ter realizado um exame oito meses antes que não havia identificado o câncer. Na época, dividia sua rotina entre a faculdade, o trabalho em uma clínica e o serviço público.
Após receber o diagnóstico, precisou passar por uma cirurgia para retirada da mama em apenas 30 dias. Posteriormente, foi submetida a outro procedimento para remoção de nódulos na axila e, devido às complicações do tratamento, precisou receber alimentação por sonda.
Durante aproximadamente dois anos, Carmelinda enfrentou dificuldades para se alimentar e precisou recorrer a suplementos nutricionais. Nesse período, recebeu apoio da Rede Feminina de Combate ao Câncer de Sinop, instituição que mantém uma parceria com a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT).
Há quatro anos, a associação contribui com a alimentação das pacientes por meio da doação de bebida de soja, utilizada como complemento nutricional durante o tratamento oncológico.
Carmelinda foi uma das beneficiadas pela iniciativa. Em entrevista à Aprosoja MT, ela relatou que o suplemento foi importante durante o período em que seu organismo apresentava dificuldades para aceitar alimentos convencionais.
“Eu mesma fui uma paciente que passei dois anos tomando suplemento. Porque, no meu caso, não foi fácil lutar para sobreviver”, contou.
Segundo ela, a alimentação se tornou ainda mais difícil durante as sessões de quimioterapia, realizadas a cada oito dias.
“Foi muito bom porque eu me fortalecia, ganhava resistência e um pouco mais de ânimo”, relatou.
Além das dificuldades físicas, Carmelinda também enfrentou momentos de preocupação entre familiares e pessoas próximas, que acompanhavam o agravamento de seu estado de saúde.
“Quem olhava para mim dizia que eu não iria escapar”, relembrou.
Apesar das dificuldades, ela conta que manteve a fé durante o tratamento. Atualmente, recuperada da doença, Carmelinda retomou atividades pessoais, voltou a viajar e chegou a realizar um voo de parapente.
A experiência também despertou nela o desejo de ajudar outras pacientes. Por conhecer as dificuldades enfrentadas durante o tratamento, passou a visitar regularmente a Rede Feminina de Combate ao Câncer de Sinop, onde conversa com mulheres que receberam recentemente o diagnóstico.
Durante esses encontros, compartilha sua história e procura incentivar as pacientes a manterem a confiança no tratamento e a cuidarem de si mesmas.
“E sempre, não desistir, ter fé”, aconselhou.
Para Carmelinda, a recuperação também representou uma mudança na maneira de enxergar a própria vida. Hoje, ela procura transmitir às mulheres que enfrentam o câncer a importância do cuidado pessoal e do apoio emocional.
Câncer de mama deve registrar mais de 78 mil novos casos por ano no Brasil
O câncer de mama continua sendo um dos principais desafios da saúde pública brasileira. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o país deverá registrar aproximadamente 78.610 novos casos da doença por ano entre 2026 e 2028.
A doença representa cerca de 30% dos diagnósticos de câncer entre mulheres no Brasil. Dados do Sistema Único de Saúde (SUS), apresentados pela Aprosoja MT, apontam que 51% das pacientes recebem o diagnóstico quando a doença já está em estágio avançado.
Entre os sinais que exigem avaliação médica estão o aparecimento de nódulos, alterações no formato da mama ou do mamilo, secreções com sangue e mudanças persistentes na pele.
A observação do próprio corpo é importante, mas não substitui os exames de rastreamento recomendados pelos profissionais de saúde.
A trajetória de Carmelinda também chama atenção para a importância das redes de apoio durante o tratamento. Depois de receber assistência em um dos períodos mais difíceis de sua vida, ela passou a oferecer acolhimento e incentivo a outras mulheres que enfrentam a doença.

