A relação entre o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), e parte de sua base aliada na Câmara Municipal ganhou mais um capítulo de tensão nesta quinta-feira (9). Durante a sessão ordinária do Legislativo, o chefe do Executivo removeu seis vereadores do grupo de WhatsApp “Vereadores 2025 e Prefeito”, utilizado como principal canal de comunicação entre a Prefeitura e os parlamentares aliados.
Foram excluídos do grupo os vereadores Alex Rodrigues (Podemos), Eduardo Magalhães (Republicanos), Sargento Joelson (Podemos), Katiuscia Manteli (Podemos), Michelly Alencar (União) e Dra. Mara (Podemos). A exclusão foi confirmada por registros do grupo e pela própria vereadora Dra. Mara na manhã desta sexta-feira (10).
A decisão ocorreu no mesmo dia em que Abilio passou a ser alvo de críticas por ingressar com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). O prefeito questiona dispositivos do Regimento Interno da Câmara que exigem quórum qualificado de dois terços dos vereadores para alterar determinadas normas da Casa.
Caso a Justiça acolha o pedido, mudanças no regimento poderão ser aprovadas por maioria simples, abrindo caminho para uma possível alteração que permita a reeleição da presidente da Câmara, Paula Calil (PL), atualmente proibida pela legislação interna de disputar um novo mandato consecutivo no comando do Legislativo.
Durante a sessão, a vereadora Katiuscia Manteli fez duras críticas à postura do prefeito e afirmou que o Executivo não deve interferir nas decisões internas da Câmara.
“Não vou permitir que o prefeito tente impor, na canetada, as decisões que cabem ao Legislativo”, declarou a parlamentar, que também classificou a iniciativa como uma “ação desesperada” e comparou a atitude de Abilio à de uma “criança mimada que não sabe ouvir um não”.
Katiuscia ainda relembrou que, quando era vereador, Abilio se posicionou contra uma tentativa de permitir a reeleição da Mesa Diretora, questionando a mudança de posicionamento do prefeito.
Outra parlamentar retirada do grupo, Michelly Alencar, também entrou no centro da crise política. Ela é esposa do secretário municipal de Esportes, Jefferson Neves, e, nos bastidores, há avaliação de que o desgaste entre Executivo e Legislativo possa atingir também a permanência do secretário na administração.
O clima de insatisfação se intensificou com o anúncio do vereador Dilemário Alencar (União), que declarou rompimento com a base de apoio ao prefeito e confirmou que mantém sua pré-candidatura à presidência da Câmara para o biênio 2027/2028.
Segundo Dilemário, a escolha da futura Mesa Diretora deve ser uma decisão exclusiva dos vereadores, sem interferências externas.
A movimentação em torno da possível mudança no Regimento Interno também fortaleceu a articulação de parlamentares contrários à iniciativa, liderados pelo pré-candidato Ilde Taques (Podemos), ampliando a crise política entre o Executivo municipal e parte de sua própria base de sustentação.
Até a publicação da reportagem, a assessoria do prefeito Abilio Brunini não havia se manifestado sobre a retirada dos vereadores do grupo de WhatsApp nem sobre as críticas feitas durante a sessão. O espaço permanece aberto para posicionamento.

