Uma assembleia realizada nesta segunda-feira (2) na Escola Estadual José Leite de Moraes, em Várzea Grande, para discutir a implantação do modelo cívico-militar na unidade, terminou em tumulto e precisou ser suspensa após uma denúncia de agressão envolvendo representantes do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT).
De acordo com o sindicato, a confusão começou quando um professor da rede estadual e dirigente do Sintep-Várzea Grande teria sido impedido de se manifestar durante a reunião. Em seguida, conforme relato da entidade, ele acabou sendo agredido por um participante favorável à implantação do modelo cívico-militar.
O episódio elevou a tensão no local e interrompeu os trabalhos da assembleia, que tinha como objetivo debater a adesão da escola ao programa defendido pelo Governo do Estado.
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Em nota, o Sintep-MT afirmou que as assembleias promovidas para discutir a militarização das unidades escolares vêm sendo marcadas pela falta de espaço para opiniões divergentes e pela ausência de debate efetivo entre os diferentes segmentos da comunidade escolar.
Segundo a entidade, os encontros estariam servindo apenas para validar uma decisão previamente definida pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT).
Além da confusão registrada durante a reunião, o sindicato também criticou apresentações realizadas sobre o projeto das escolas cívico-militares. Conforme o Sintep, parte do material exposto teria servido como propaganda antecipada para o ex-secretário estadual de Educação e pré-candidato ao Parlamento estadual, Alan Porto.
O dirigente sindical e professor Gilmar Soares classificou o episódio ocorrido na Escola José Leite de Moraes como mais um exemplo de desrespeito aos profissionais da educação, que, segundo ele, acabam excluídos dos processos de decisão, apesar de serem diretamente impactados pelas mudanças propostas para a gestão escolar.
Gilmar defendeu o direito de participação dos trabalhadores nas discussões e ressaltou que o sindicato continuará se posicionando sobre temas que afetam a categoria.
Durante o debate, ele também destacou a trajetória da Escola Estadual José Leite de Moraes, considerada uma das unidades mais tradicionais de Várzea Grande. Com quase cinco décadas de funcionamento, a escola é reconhecida pelo desenvolvimento de projetos nas áreas de biologia, meio ambiente, esporte e música.
Entre os destaques está o coral Vésper, formado por estudantes de diferentes etapas de ensino e que acumula premiações em âmbito nacional.
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Profissionais da unidade também questionaram os argumentos utilizados para justificar a implantação do modelo cívico-militar. Segundo relatos apresentados durante a assembleia, a escola atende cerca de 1.300 estudantes distribuídos nos períodos matutino, vespertino e noturno e não possui histórico de ocorrências graves que justificariam a presença permanente de militares no ambiente escolar.
Para um dos professores da unidade, episódios isolados que eventualmente ganham repercussão na mídia não podem ser utilizados como justificativa para a militarização do ensino.
Na avaliação dele, o principal problema enfrentado pela escola é a redução do quadro de profissionais de apoio, especialmente agentes de pátio e servidores responsáveis pela manutenção da rotina escolar.
O Sintep-MT sustenta que a Seduc vem promovendo um processo de enfraquecimento da estrutura das escolas estaduais ao não recompor equipes de apoio consideradas essenciais para o funcionamento das unidades.
Segundo a entidade, a implantação do modelo cívico-militar agravaria essa situação ao direcionar recursos da educação para o pagamento de militares da reserva, em vez de investir na contratação de profissionais da área educacional.
A Secretaria de Estado de Educação ainda não se pronunciou sobre as denúncias apresentadas pelo sindicato nem sobre o episódio que levou à suspensão da assembleia. – me de uma legenda

