As eleições deste domingo (4) produziram mais do que uma nova composição de cargos em Mato Grosso. O resultado das urnas redesenhou o tabuleiro político do Estado e fortaleceu o grupo construído nos últimos anos em torno do ex-governador Mauro Mendes (União Brasil).
Mauro conquistou uma das duas vagas em disputa para o Senado. Ao mesmo tempo, Otaviano Pivetta (Republicanos), seu sucessor no Palácio Paiaguás, garantiu nas urnas a permanência no Governo de Mato Grosso já no primeiro turno.
Com praticamente toda a apuração concluída, Pivetta alcançou cerca de 60,8% dos votos válidos e ultrapassou 1,1 milhão de votos. Wellington Fagundes (PL) ficou na segunda colocação, com pouco mais de 23%, enquanto Natasha Slhessarenko (PSD) terminou em terceiro, com cerca de 15%.
O resultado representa uma vitória importante para o grupo político que comandou o Estado nos últimos anos. Pivetta foi vice-governador durante os dois mandatos de Mauro Mendes e assumiu definitivamente o Palácio Paiaguás em março deste ano, após a renúncia de Mauro para disputar o Senado.
Mauro sai do Paiaguás e chega ao Senado
A estratégia eleitoral também terminou com Mauro Mendes garantindo espaço em Brasília.
Na disputa pelas duas cadeiras de Mato Grosso no Senado, o ex-governador terminou na primeira colocação, com aproximadamente 33% dos votos válidos. A segunda vaga ficou com o deputado federal José Medeiros (PL), que alcançou cerca de 27%.
Janaína Riva (MDB), que chegou à reta final da campanha como um dos principais nomes da disputa, terminou na terceira colocação, com aproximadamente 14,5%. Carlos Fávaro (PSD), que buscava a reeleição, apareceu em quarto.
O resultado também chama atenção porque pesquisas divulgadas meses antes da eleição chegaram a apontar Janaína entre os nomes mais competitivos para uma das duas vagas. No fim, as urnas produziram uma composição diferente: Mauro Mendes e José Medeiros representarão Mato Grosso no Senado a partir de 2027.
Virginia estreia com vitória
Outro resultado significativo para o núcleo político ligado a Mauro Mendes foi a eleição de Virginia Mendes (União Brasil) para deputada federal.
Em sua primeira disputa por um cargo eletivo, a ex-primeira-dama ultrapassou a marca dos 100 mil votos e garantiu uma das oito cadeiras de Mato Grosso na Câmara dos Deputados.
A vitória coloca marido e mulher simultaneamente no Congresso Nacional a partir de 2027: Mauro no Senado e Virginia na Câmara.
A candidatura de Virginia também ampliou a presença eleitoral da família Mendes. Até então conhecida principalmente pelo trabalho desenvolvido durante os anos em que ocupou o posto de primeira-dama de Mato Grosso, ela transformou essa exposição em votação suficiente para conquistar mandato federal logo em sua estreia nas urnas.
Urnas também atingem grupos tradicionais
Enquanto o núcleo ligado a Mauro Mendes saiu fortalecido, outros grupos tradicionais da política mato-grossense encerraram a eleição em situação diferente.
Janaína Riva não conseguiu chegar ao Senado. O resultado representa um revés para o grupo político da família Riva, que durante décadas teve presença relevante na política estadual.
A família Campos também chega ao fim do atual ciclo eleitoral com perda de espaço. Jayme Campos deixa o Senado em fevereiro de 2027 e não disputou a reeleição após ter seu projeto de candidatura ao Governo barrado dentro do próprio União Brasil. Na convenção partidária, venceu a ala que defendia a aliança com Otaviano Pivetta.
Já Júlio Campos não conseguiu renovar seu mandato na Assembleia Legislativa.
O resultado não significa necessariamente o encerramento político desses grupos, mas altera de maneira significativa a distribuição de forças e de mandatos em Mato Grosso.
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Um novo desenho para 2027
As urnas deixam um desenho político diferente para o Estado.
Otaviano Pivetta permanece no comando do Governo. Mauro Mendes deixa definitivamente o Executivo estadual para assumir uma cadeira no Senado. Virginia Mendes estreia na Câmara Federal.
Ao mesmo tempo, José Medeiros conquista a segunda cadeira do Senado, mostrando que o eleitorado também abriu espaço para um nome situado fora da composição governista estadual.
Mais do que definir vencedores e derrotados, a eleição de 2026 estabelece uma nova correlação de forças em Mato Grosso.
Para o grupo de Mauro Mendes, o saldo é expressivo: preservou o comando do Palácio Paiaguás, conquistou uma cadeira no Senado e colocou Virginia Mendes na Câmara dos Deputados.
Agora, a força demonstrada nas urnas passa a ser medida por outro desafio: transformar o capital eleitoral conquistado neste domingo em influência política no Estado e em Brasília a partir de 2027.


