O candidato ao Governo de Mato Grosso Wellington Fagundes (PL) colocou a política de incentivos fiscais do Estado no centro do debate eleitoral nesta terça-feira (15), durante sabatina realizada pela TV Centro América. O senador afirmou que a Natural Pork Alimentos S.A., empresa com ligação empresarial histórica com o candidato Otaviano Pivetta (Republicanos), teria acumulado aproximadamente R$ 491,97 milhões em renúncias fiscais entre 2019 e 2025.
Ao apresentar a acusação, Wellington afirmou que os números teriam sido obtidos a partir de dados oficiais e chegou a colocar a própria candidatura em jogo.
“Isso são dados oficiais. Pegue esses dados e confirme. Se isso não for verdade, eu renuncio a minha candidatura”, declarou.
Segundo levantamento apresentado pela campanha de Wellington, os benefícios atribuídos à Natural Pork teriam passado de R$ 35,2 milhões em 2019 para R$ 94,23 milhões em 2025.
Os valores apontados ano a ano são de R$ 35,2 milhões em 2019; R$ 62,38 milhões em 2020; R$ 73,18 milhões em 2021; R$ 74,61 milhões em 2022; R$ 76,39 milhões em 2023; R$ 75,96 milhões em 2024; e R$ 94,23 milhões em 2025.
Somados, os números chegam a aproximadamente R$ 491,95 milhões — pequena diferença em relação aos R$ 491,97 milhões divulgados, decorrente do arredondamento dos valores anuais apresentados.
Clique aqui para entrar em nosso grupo do whatsapp
Natural Pork aparece entre beneficiárias de incentivos em MT
A Natural Pork já aparece em levantamentos públicos sobre renúncias fiscais no Estado. Dados referentes a 2023 apontaram cerca de R$ 76 milhões em benefícios tributários para a companhia. Em 2024, o montante registrado foi de aproximadamente R$ 75,96 milhões.
A concessão de incentivos fiscais, por si só, não representa irregularidade. Trata-se de um instrumento previsto na legislação e utilizado pelo poder público para estimular investimentos, industrialização, geração de empregos e setores considerados estratégicos.
O questionamento levantado por Wellington está relacionado à concentração dos benefícios e ao retorno econômico e social oferecido pelas empresas contempladas.
Segundo os dados apresentados pelo candidato, parte significativa dos benefícios concedidos à Natural Pork estaria relacionada ao Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso (Prodeic).
Em 2025, dos R$ 94,23 milhões apontados no levantamento, R$ 80,67 milhões estariam relacionados ao Prodeic e R$ 13,55 milhões ao Regulamento do ICMS (RICMS).
Ligação de Pivetta com a empresa
A relação empresarial de Otaviano Pivetta com a Natural Pork antecede sua atuação como vice-governador de Mato Grosso.
Pivetta teve participação na Intercoop, estrutura empresarial que esteve relacionada à origem da operação posteriormente assumida pela Natural Pork. Em sua declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral em 2022, também constavam ações da Natural Pork Alimentos S.A.
O candidato declarou ainda naquele pleito participações e valores relacionados a outros empreendimentos privados.
A existência dessa ligação empresarial é utilizada pela campanha de Wellington para questionar os incentivos recebidos pela companhia durante o período em que Pivetta ocupa a Vice-Governadoria.
Até o momento, porém, os dados apresentados não demonstram, por si só, que Pivetta tenha participado da concessão dos benefícios ou que os incentivos tenham sido concedidos de forma irregular.
Clique aqui para entrar em nosso grupo do whatsapp
Renúncia fiscal cresce em Mato Grosso
A discussão ocorre em meio ao crescimento expressivo dos incentivos tributários concedidos pelo Estado.
Dados públicos analisados pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) mostram que a renúncia fiscal de Mato Grosso passou de aproximadamente R$ 3,42 bilhões em 2019 para R$ 15,6 bilhões em 2025. No acumulado do período, o montante chega a cerca de R$ 65,5 bilhões.
Em 2023, apenas 30 beneficiários concentraram cerca de R$ 4,6 bilhões, equivalentes a 43,3% de toda a renúncia fiscal registrada naquele ano. Os dez maiores concentraram aproximadamente R$ 2,9 bilhões.
Durante a sabatina, Wellington afirmou que não pretende acabar com os incentivos fiscais, mas defendeu mudanças na distribuição dos benefícios.
“Mato Grosso é um estado muito rico, só que essa riqueza está ficando para poucos”, afirmou.
O candidato defende que empresas que investem, industrializam e geram empregos continuem recebendo incentivos, mas argumenta que pequenos e médios negócios também deveriam ter maior acesso aos programas.
Wellington também defendeu maior fiscalização sobre o retorno proporcionado pelas empresas beneficiadas, considerando geração de empregos, investimentos e desenvolvimento econômico.
Espaço para manifestação
As declarações de Wellington representam uma acusação feita no contexto da campanha eleitoral.
O Boraver MT ressalta que o recebimento de incentivos fiscais legalmente instituídos não caracteriza, isoladamente, favorecimento ou irregularidade.
O espaço permanece aberto para que Otaviano Pivetta, a Natural Pork Alimentos e o Governo de Mato Grosso apresentem esclarecimentos sobre os valores citados, os critérios utilizados para concessão dos incentivos e eventual relação do candidato com as decisões envolvendo os benefícios tributários.

