A escassez de mão de obra qualificada é um dos gargalos mais sentidos atualmente pelo setor de tecnologia e também um dos mais difíceis de resolver em curto prazo, já que formar um bom analista de requisitos não é questão de meses. Diante desse cenário, a Log Lab optou por um caminho pouco convencional: em vez de disputar no mercado profissionais já preparados, passou a formar seus próprios analistas internamente. Foi esse movimento que levou a empresa à Secretaria Municipal da Fazenda (Semfaz) de São Luís, no Maranhão, onde realizou uma capacitação em análise de requisitos.
A formação atendeu a uma solicitação do próprio órgão e reuniu cerca de 15 participantes, entre analistas de requisitos, profissionais de outras áreas da TI e gestores da administração municipal. A iniciativa integra uma frente de capacitações da Log Lab que teve início em Cuiabá, onde a empresa está sediada, e que agora se estende a outras localidades do país.
Por trás dessa frente está o DCT, Departamento de Conhecimento e Transformação, área da Log Lab dedicada a estruturar e conduzir a capacitação técnica dos profissionais da empresa e de seus clientes. É essa estrutura que dá consistência metodológica às formações e permite replicá-las, com os devidos ajustes, em diferentes contextos e para diferentes públicos.
Responsável pela capacitação em São Luís, o gestor Luiz Eduardo Nunes, da área de People Intelligence da Log Lab, explica que o treinamento foi desenvolvido para abranger as competências que o mercado exige atualmente de um analista de requisitos. “A gente fez toda uma trilha, uma trajetória, com as principais skills que o mercado atual espera de um profissional que lida com uma parte tão sensível, que é o requisito”, afirma.
O rigor técnico aparece na amplitude do conteúdo. Os participantes trabalharam pensamento crítico e resolução de problemas, identificação de problemas e abstração de soluções, técnicas de elicitação e modelagem de requisitos, além de BPMN, notação utilizada para mapear processos de negócio. A programação também incluiu identificação de bugs, estimativas para analistas de requisitos, critérios de aceitação e categorização de requisitos — de negócio, de stakeholders, funcionais e não funcionais —, com foco em como cada categoria influencia a qualidade da solução entregue ao final da cadeia.
Para Luiz Eduardo, esse cuidado responde a um dos desafios centrais da engenharia de software: compreender o problema antes de partir para a solução. “Dentro da engenharia de requisitos, trabalha-se muito essa parte de entender qual é a dor do cliente, qual é o problema que estamos resolvendo quando vamos construir um software”, destaca.
A inteligência artificial também integrou a programação, com atividades práticas voltadas ao uso de ferramentas de IA como apoio ao trabalho do analista, sempre com atenção ao uso responsável dessas tecnologias. O professor Cleiton Fernandes ressaltou:
“Foi uma experiência muito gratificante. Adaptamos o treinamento à realidade regional de São Luís e às necessidades do time e do cliente, com foco em conhecimentos técnicos, exercícios práticos e aplicação de inteligência artificial. Percebemos uma evolução significativa dos analistas ao longo da semana e acreditamos que foi uma troca muito proveitosa para todos.”
Dentro da Log Lab, a formação também cumpre outro papel: abrir espaço para que profissionais juniores se aprofundem tecnicamente e amadureçam na própria carreira, em um modelo de desenvolvimento que acontece de dentro para fora, formando pessoas para os desafios reais do dia a dia, e não apenas para uma vaga específica.
A experiência em São Luís, segundo Luiz Eduardo, também contribui para o próprio processo de aperfeiçoamento da Log Lab. “A gente vem aperfeiçoando e delineando melhor tudo o que estamos fazendo, tanto em termos de conteúdo quanto na forma de ministrar esse conteúdo, respeitando o contexto de cada local, órgão ou projeto”, afirma.
Para ele, cada capacitação deixa lições que se somam às próximas experiências. “Cada experiência tem sido agregadora. Temos coletado mais aprendizados e procurado aperfeiçoar algo que considero potencialmente entregável para várias outras frentes, outros projetos e outras localidades”, avalia.
A proposta, resume Luiz, é levar conhecimento para além da capacitação individual, considerando os efeitos que o trabalho desses profissionais produz nos projetos, nos clientes e, em última instância, na sociedade. “Educação transforma vidas. A essência de tudo, no final das contas, é a educação”, conclui.

