A tradição mato-grossense marcou o encerramento do Mato Grosso AgroFestival neste domingo (9), com a realização de uma cavalgada e da Procissão dos Caminhoneiros no Parque Novo Mato Grosso. A programação reuniu cavaleiros, amazonas, caminhoneiros, motociclistas e comitivas, além de incluir a bênção dos participantes e dos veículos e uma missa campal em homenagem a São Cristóvão.
A primeira Cavalgada do AgroFestival contou com cerca de 300 cavaleiros e amazonas e a participação de mais de 20 comitivas de diferentes municípios de Mato Grosso. A atividade abriu a manhã de celebrações voltadas às tradições do estado.
O secretário municipal de Cultura, Johnny Everson, destacou o número de participantes, considerando o curto período de organização do evento.
“Tivemos aproximadamente 300 cavaleiros e amazonas. Se tivéssemos seis meses para mobilização, certamente teríamos um número ainda maior. A cavalgada representa a cultura de Mato Grosso e a identidade de Cuiabá”, disse.
Entre os participantes estava Romeno Netto Duarte Gomes, operador de máquinas agrícolas e integrante da comitiva Boiadeiros de Magalhães. Para ele, além de preservar a tradição, as cavalgadas proporcionam encontros entre amigos.
“A expectativa é encontrar os amigos, prosear e aproveitar a cavalgada”, contou.
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Cristiano Matos, da comitiva Fazenda Santa Catarina, de Santo Antônio de Leverger, participou da programação com outros cinco integrantes do grupo. Ele afirmou que os encontros ajudam a manter amizades e transmitir a tradição às novas gerações.
“A gente vem construindo amizades ao longo das cavalgadas. É uma tradição que também mostramos para a turma mais nova. Por isso, seguimos participando”, pontuou.
Na Procissão Motorizada, mais de 400 caminhões participaram da carreata até o Parque Novo Mato Grosso, acompanhados por motociclistas. O buzinaço marcou a chegada dos trabalhadores do transporte ao festival, em uma programação de fé e celebração da categoria.
Os motoristas receberam a tradicional bênção, realizada há anos em homenagem a São Cristóvão, considerado pela tradição católica o padroeiro dos motoristas e viajantes. A celebração foi conduzida por Dom Vidal, da Diocese de Diamantino, e também marcou a primeira missa realizada no Parque Novo Mato Grosso.
Motorista há 15 anos, Lucas Galvão participou da programação e destacou a importância dos caminhoneiros para o funcionamento da economia e da sociedade.
“Sem os caminhoneiros não se movimenta nada. Tudo depende de nós. Movimentamos uma engrenagem que alimenta a vida no campo e na cidade, a economia e o mundo dos negócios”, destacou.
Lucas também lembrou da participação em eventos semelhantes durante a infância e considerou importante a retomada da tradição.
“A Prefeitura de Cuiabá, juntamente com o Governo do Estado, resgatou uma cultura que estava perdida há muito tempo. Quando era moleque, criança, cheguei a participar de vários eventos assim, não nessa magnitude. E hoje, resgatando aqui como profissional, é perfeitamente gratificante”, afirmou.
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A rotina nas estradas, no entanto, também envolve o afastamento da família. O motorista Célio José apontou a saudade como uma das principais dificuldades enfrentadas por quem trabalha viajando.
“Para quem vive na estrada, o que pesa é a saudade. Da família, dos amigos, da casa”, frisou.
A programação ainda contou com a participação de veículos antigos. O empresário Dário Tavares destacou a parceria para levar os carros à exposição e ampliar as atrações do evento.
“Unimos forças para agregar com a exibição dos carros antigos, para dar mais um glamour para a festa, que já é linda. E hoje, aqui, nessa grande carreata dos caminhoneiros, estamos participando com muito orgulho”, afirmou.
A bênção dos motoristas encerrou a programação reforçando uma tradição religiosa transmitida entre gerações e associada ao trabalho dos profissionais responsáveis pelo transporte e pela circulação de produtos entre o campo, as cidades e diferentes regiões do país.

