Ana Carolina Guerra
O final de ano chegou e, com ele, as comidas típicas das festas de Natal e de Ano Novo voltaram a ocupar lugar de destaque nas mesas brasileiras. Embora presentes todos os anos, poucos conhecem a origem dos alimentos que compõem a tradicional ceia. Proteínas como o peru e o popular frango Chester são produzidas no Brasil, mas muitas das frutas tradicionais dessa época, como pêssego, cereja, damasco e uva-passa, ainda dependem da importação.
Por muito tempo, o Chester despertou curiosidade, já que a Perdigão mantinha em sigilo detalhes sobre a ave. Hoje, sabe-se que se trata de um frango fruto de melhoramento genético, desenvolvido para oferecer maior quantidade de carne de peito. Sua produção concentra-se no Sul do país, especialmente no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, estados responsáveis pelos maiores abates. Segundo a ABPA, a produção brasileira de carne de frango deve chegar a 14,9 milhões de toneladas em 2024, volume que abastece o mercado interno e sustenta as exportações para países como a China, principal compradora.
O peru, apesar de não ser nativo do Brasil, consolidou-se como símbolo da ceia natalina. Domesticado há séculos por povos astecas e por tribos do sudoeste dos Estados Unidos, tornou-se um prato festivo e hoje é produzido integralmente em território nacional, sobretudo na região Sul. Em 2023, o país fabricou 133,3 mil toneladas da proteína, com quase metade destinada ao consumo interno e o restante exportado para países da América, África e União Europeia.
Entre as frutas, o pêssego se destaca pelo colorido e frescor que traz à mesa de Natal. Originário da China e do sul da Ásia, adaptou-se especialmente bem à Serra Gaúcha, onde Pinto Bandeira se firmou como principal produtora. Mesmo assim, a produção nacional, mais de 200 mil toneladas em 2023, não é suficiente para atender à demanda, levando o Brasil a importar, sobretudo da Argentina. Já a cereja, símbolo luxuoso das festas, praticamente não é cultivada no país devido ao clima tropical. A fruta presente nas ceias chega principalmente da Argentina e do Chile, além de grandes produtores como Turquia, Estados Unidos, Canadá e Japão.
O damasco, especialmente na versão seca, também marca presença nas ceias, embora sua produção nacional seja limitada a pequenas áreas de Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Assim como a cereja, a maior parte do damasco consumido no Brasil é importada, principalmente da Turquia. Por sua vez, a polêmica uva-passa, amada por uns e rejeitada por outros, tem origem mediterrânea, mas chega ao Brasil majoritariamente da Argentina, onde o clima seco favorece o processo de desidratação natural e reduz custos.
As bebidas das festas também merecem atenção. O vinho, clássico dos brindes de fim de ano, tem sua maior produção concentrada no Rio Grande do Sul. O Brasil produziu 3,6 milhões de hectolitros em 2023, mas deve registrar queda em 2024 devido às condições climáticas adversas, incluindo secas e enchentes. Os espumantes, por outro lado, consolidaram-se como destaque nacional. Com raízes históricas que remetem à pioneira Peterlongo, no início do século 20, o país tornou-se um importante produtor, especialmente nas regiões do Vale dos Vinhedos e da Serra Gaúcha. Atualmente, cerca de 80% das exportações de vinhos brasileiros correspondem a espumantes, que ganharam reconhecimento internacional.
Ao redor do mundo, as mesas natalinas também revelam tradições singulares. Na Dinamarca, o arenque julesild abre os almoços festivos; na Polônia, a ceia começa com a sopa de beterraba Barszcz; nas Filipinas, o Bibingka é consumido após a Missa do Galo; e na Sicília, o doce Buccellato assume o protagonismo. A Finlândia celebra com o Lanttulaatikko, o México com o ponche navideño, a Catalunha com a sopa de galets e a Venezuela com o pan de jamón. A África do Sul contribui com o pudim de malva, enquanto o Brasil se destaca com sua farofa, presença quase obrigatória nas ceias e adaptada às preferências de cada família.
Assim, a gastronomia natalina, em suas diversas expressões, revela não apenas sabores característicos, mas também tradições, histórias e influências culturais que atravessam gerações e conectam diferentes partes do mundo em torno da mesa festiva.


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