Ana Carolina Guerra
Os primeiros trens do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) de Salvador e região metropolitana foram apresentados em ato na Avenida Paralela, uma das principais da capital baiana, com testes previstos para início de 2026. Segundo o governo estadual, as composições saíram da fábrica da Construcciones y Auxiliar de Ferrocarriles (CAF), em Hortolândia (SP), e passaram por ajustes técnico-operacionais. Cada trem é formado por sete módulos divididos em três seções.
As obras do VLT avançaram em outubro com o início do descarregamento dos trilhos do Trecho 2, que ligará Paripe a Águas Claras. Os primeiros trilhos estão sendo instalados entre a rotatória do Hospital do Subúrbio e Águas Claras. Em setembro, o governo da Bahia assinou contrato de financiamento de R$ 600 milhões com a Caixa Econômica Federal para custear obras de mobilidade urbana, com destaque para o projeto do VLT.
O governador Jerônimo Rodrigues visitou a fábrica em Hortolândia acompanhado por 20 lideranças comunitárias do subúrbio, conferindo o exterior e o interior de um trem em fase de ajustes, pintura e plotagem.
No entanto, moradores do bairro de Plataforma reclamam da desapropriação de casas para a construção do VLT. Muitos afirmam que foram pegos de surpresa e que não houve reuniões para apresentação do projeto. Na rua Almeida Brandão, próximas à antiga estação, estão 14 casas com aviso de desapropriação, local histórico ligado aos antigos ferroviários que contribuíram para o desenvolvimento de Salvador no século XIX.
Segundo a Companhia de Transportes da Bahia (CTB), responsável pelas obras, as desapropriações seguem critérios técnicos de engenharia e urbanismo e são analisadas individualmente, com diálogo com cada família. O prazo de desocupação é definido caso a caso, respeitando a legislação, a situação familiar e as necessidades da obra. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) não identificou bens tombados na rua Almeida Brandão, mas a fábrica São Braz, envolvida no projeto, é tombada pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac) e será transformada em centro comercial e gastronômico preservando sua importância histórica e cultural.
O projeto do VLT tem investimento de R$ 5,4 bilhões e deve atingir toda a região metropolitana de Salvador, com 40 km de trilhos e 42 paradas. Atualmente, mais de 2 mil trabalhadores atuam na obra, iniciada há 14 meses. No Trecho 1, que liga Calçada à Ilha de São João, o avanço físico é de 33,79%; no Trecho 2, entre Paripe e Águas Claras, 19,99%; e no Trecho 3, que vai de Águas Claras a Piatã, 2,11%, com conclusão prevista para 2028.
O sistema contará com Wi-Fi gratuito em 35 pontos, catracas automáticas, integração com o metrô via fibra óptica, câmeras com inteligência artificial e painéis digitais em tempo real, oferecendo modernidade e eficiência ao transporte público da Bahia.

