Ana Carolina Guerra
Políticos de Mato Grosso reagiram positivamente ao depoimento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) à Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), no processo que apura a tentativa de golpe de Estado. Ele foi o sexto réu a prestar esclarecimentos na ação penal que investiga a atuação de autoridades e militares contra o resultado das eleições de 2022.
O vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) elogiou a postura do ex-presidente durante o interrogatório. Segundo ele, Bolsonaro demonstrou tranquilidade e clareza ao responder às perguntas.
“Acredito que, no final, o bom senso prevaleça. O STF tem 11 componentes, pessoas maduras, que vão representar bem o pensamento do brasileiro na hora de julgar”, afirmou.
A presidente da Câmara Municipal, vereadora Paula Calil (PL), também saiu em defesa de Bolsonaro. Para ela, não há motivo para uma eventual prisão.
Entre os parlamentares que apontaram irregularidades no interrogatório, o deputado estadual Gilberto Cattani (PL) classificou a audiência como um “teatro” e afirmou que o processo se baseia em suposições. “Você não pode ter uma acusação baseada em suposições, como está sendo ali. Isso ficou muito claro, até quando perguntaram ao presidente sobre um general que teria deixado tropas à disposição. O general é aposentado, nem tropa tem”, criticou.
Cattani reforçou a posição de Bolsonaro ao afirmar que aqueles que defendem intervenção militar são “malucas”, destacando que qualquer tentativa de forçar o Exército a tomar o poder e promover um golpe em um governo democrático está completamente fora da razão.
O deputado federal Coronel Assis (União Brasil) também criticou o andamento da ação, classificando o processo como um “grande teatro”, sustentado, segundo ele, por uma tese “fraudulenta, sem prova, sem lógica e sem verdade”.
Outro aliado do ex-presidente, o deputado federal José Medeiros (PL), negou que Bolsonaro tenha convocado manifestações ou incentivado atos antidemocráticos.
“Não há nenhuma ação de Bolsonaro chamando para a frente de quartéis, bem como a ordem ou voz que convocou manifestantes para o 8 de janeiro não saiu de sua boca. O que existe é uma tentativa de imputar ao ex-presidente a responsabilidade de ter conduzido as duas coisas para justificar uma tentativa de golpe. Mas tudo partiu de iniciativa popular. O resto é narrativa”, declarou, em publicação nas redes sociais.
A deputada federal Coronel Fernanda (PL) reforçou a defesa de Bolsonaro ao compartilhar em suas redes sociais trechos da audiência. O deputado federal Nelson Barbudo (PL) também comentou o depoimento, reagindo a um momento descontraído em que Bolsonaro sugeriu, em tom de brincadeira, uma chapa com o ministro Alexandre de Moraes nas eleições de 2026. “Eita que o homi é corajoso (sic)”, escreveu. O deputado Rodrigo da Zaeli (PL) igualmente mencionou o episódio, questionando: “E essa chapa aí, hein? Bolsonaro e Moraes 2026?”
