Redação
O deputado estadual Júlio Campos (União) fez duras críticas à condução da tramitação do orçamento estadual de 2026 na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). Em discurso inflamado no plenário, cobrou o relator da matéria, deputado Dilmar Dal Bosco (União), líder do governo, para que analise e aprove ao menos parte das emendas apresentadas pelos parlamentares, que, segundo ele, vêm sendo sistematicamente ignoradas pelo Executivo.
“Esta Casa precisa de mais dignidade e respeito. Mesmo que o governo vete depois, o relator não pode simplesmente rasgar todas as nossas emendas sem análise. Nós, deputados, temos que andar de cabeça erguida”, afirmou Campos, em tom de indignação.
O parlamentar lembrou que, ao longo dos sete anos de mandato do governador Mauro Mendes (União), o Executivo conseguiu aprovar praticamente todas as suas propostas no Legislativo, sem oferecer contrapartidas efetivas aos deputados. Para Júlio Campos, o desequilíbrio na relação entre os Poderes enfraquece o papel da Assembleia.
Outro ponto de crítica foi a exclusão das emendas parlamentares de bancada da proposta orçamentária para o próximo ano. Segundo ele, o cenário indica que, além do atraso no pagamento das emendas individuais de curto prazo, as emendas de bancada também devem ficar de fora, repetindo o que já ocorreu em 2025.
“Parece que não só não seremos contemplados com os pagamentos das nossas emendas de curto prazo, como também as emendas de bancada não serão pagas. É um desrespeito com o Parlamento e com os municípios que dependem desses recursos”, disparou.
Júlio Campos afirmou ainda que a aprovação do orçamento sem a devida análise das emendas compromete a função fiscalizadora e legislativa da ALMT. Para ele, a Casa não pode se limitar a chancelar decisões do Executivo. “O Legislativo não pode ser um mero carimbo do que o governo propõe. Precisamos garantir que os deputados tenham voz e que o orçamento reflita as reais necessidades da população”, concluiu.
A proposta orçamentária enviada pelo governo estadual prevê receita líquida de R$ 39,8 bilhões para 2026, com crescimento estimado de 4,66% em relação a 2025. Embora o projeto tenha sido protocolado dentro do prazo legal, em 30 de setembro, a tramitação está travada desde 1º de outubro, em meio a questionamentos sobre valores, prioridades e atrasos no pagamento das emendas parlamentares.

