Assessoria de imprensa: Ana Carolina Guerra
Uma denúncia anônima aponta que o caso envolvendo o condomínio Brasil Beach Home Resort, em Cuiabá, teria origem na descoberta de um suposto esquema de desvio financeiro interno. Segundo o relato, o advogado Rodrigo da Costa Ribeiro identificou indícios de superfaturamento de contratos, cobranças indevidas, falhas na execução de serviços e outras irregularidades administrativas que teriam causado prejuízo superior a R$ 600 mil aos moradores. A pressão gerada pela situação teria levado à renúncia da então síndica, identificada como uma policial rodoviária federal, que administrava o condomínio à época dos fatos.
Supostamente, mesmo após o afastamento formal, a ex-síndica teria mantido acesso aos sistemas internos do condomínio, incluindo plataformas de controle de entrada e saída de moradores, visitantes e prestadores de serviço. Essa informação é corroborada por resposta oficial da atual gestão, que afirma que, no período entre março e junho de 2025, a então gestora licenciada ainda possuía acesso integral aos sistemas informatizados. O documento também relata que, mesmo após a renúncia em julho de 2025, esse acesso permaneceu ativo devido a falhas na gestão dos sistemas, que eram operados por empresa terceirizada, sendo bloqueado apenas posteriormente.
A partir desse contexto, o advogado sustenta que dados sigilosos de frequentadores de seu apartamento, localizado na unidade 603B, torre 02, no próprio condomínio, onde também funciona seu escritório profissional Costa & Ribeiro Advocacia & Consultoria Jurídica, foram fornecidos à Polícia Civil sem autorização judicial. Em notificação extrajudicial fundamentada na Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018), na Constituição Federal (artigo 5º, incisos X e XII) e no Estatuto da OAB (Lei nº 8.906/1994), Rodrigo questiona formalmente o condomínio sobre o fornecimento dessas informações.
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Na resposta, assinada pela atual síndica Laura Campos, o condomínio afirma expressamente que não houve qualquer ordem judicial, mandado ou requisição administrativa formal que justificasse o compartilhamento de dados pessoais de moradores ou visitantes. A gestão também declara que eventual fornecimento de informações deve ter ocorrido no âmbito da administração anterior, não podendo ser atribuído à atual administração, que afirma ter adotado medidas para restringir acessos e reforçar a segurança das informações.
Segundo o advogado, essas informações teriam sido utilizadas como base para a construção de uma investigação criminal que resultou na sua prisão durante a Operação Efetá. O caso está vinculado ao processo nº 1018599-84.2025.8.11.0042, que tramita no Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias – Polo Cuiabá, sob sigilo. O procedimento envolve apurações relacionadas a crimes de lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e organização criminosa, tendo como partes o Ministério Público do Estado de Mato Grosso e a Polícia Judiciária Civil.
Nos autos, o advogado aparece como investigado ao lado de outros nomes, como Washington Oliveira Santos, Kanandha Kyrian Cruz Maciel, Augusto Domingos Barbosa, Leandro Firmino da Silva, Edimar Henrique de Oliveira, Gilberto Silvio Anjos e Lindaray Nayann da Costa, entre outros. Relatórios da Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (DENARC) apontam que Washington teria acesso frequente ao apartamento do advogado, sendo inclusive cadastrado no condomínio como “funcionário”, embora não tenham sido encontrados vínculos formais em bases oficiais de trabalho.
Outro ponto citado na investigação envolve a prisão de Kanandha Kyrian Cruz Maciel, ocorrida em 6 de julho de 2022, no município de Primavera do Leste, quando foi flagrada transportando drogas em um ônibus. A investigação aponta supostos vínculos entre ela e o advogado, além da presença de outros frequentadores do imóvel que seriam associados a facções criminosas.
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Apesar disso, Rodrigo sustenta que todos os indivíduos citados eram seus clientes, atendidos no exercício regular da advocacia criminal, e que a utilização dessas relações profissionais como elemento de prova viola o sigilo garantido por lei. Ele também questiona trechos do inquérito que, segundo sua defesa, indicariam tentativa de construção de narrativa para vinculá-lo às atividades ilícitas investigadas.
O texto sustenta ainda que o delegado André Rigonato, da DENARC/PJC-MT, não atuou como autoridade imparcial, mas como instrumento de uma suposta organização criminosa liderada por Thauana Nawa, utilizando a estrutura policial para conferir aparência de legalidade a uma investigação direcionada à perseguição do denunciante. De acordo com essa versão, a origem da apuração já seria ilícita, uma vez que, ainda em 2022, o delegado teria requisitado dados pessoais sem autorização judicial, obtendo-os diretamente da própria síndica à época, apontada como alvo das denúncias, o que indicaria possível conluio.
Ainda segundo o conteúdo, a Operação Efetá, deflagrada em dezembro de 2025, teria sido construída com base em uma narrativa previamente estruturada por outro delegado, indicando uma suposta ligação do denunciante com organização criminosa, o que reforçaria a tese de atuação coordenada. No entanto, essa linha investigativa não se sustentou no Judiciário: o Ministério Público não acolheu a acusação de organização criminosa, a prisão preventiva foi negada por ausência de requisitos legais e a sentença final fixou pena mínima, apesar de o advogado ter permanecido preso por 79 dias.
O texto também aponta indícios de irregularidades no cumprimento de mandados de busca e apreensão, destacando que munições teriam sido localizadas fora do escopo autorizado judicialmente, o que levanta suspeitas sobre possível fraude processual. Nesse contexto, a narrativa apresentada indica que o conjunto de medidas adotadas pode envolver obtenção ilegal de dados, uso de provas ilícitas e tentativa de justificar medidas cautelares sem base legal, caracterizando, segundo a tese defendida, uma atuação direcionada à perseguição e ao silenciamento do denunciante.
Paralelamente à investigação criminal, o caso também envolve a tentativa de apuração interna das irregularidades financeiras no condomínio. Moradores chegaram a convocar assembleia para aprovar a contratação de auditoria independente, que analisaria o suposto rombo milionário. No entanto, o processo foi interrompido após um episódio de agressão durante reunião.
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O delegado da Polícia Civil de Mato Grosso, Gustavo Garcia Francisco, é investigado por empurrar um advogado durante o encontro. Imagens registradas por câmeras de segurança mostram o momento da agressão. Segundo relato da vítima, além do empurrão, houve ameaça. O delegado afirmou que irá prestar esclarecimentos e contestou parte das acusações. O episódio contribuiu para o esvaziamento da auditoria que poderia aprofundar a análise das contas do condomínio.
O advogado também aponta que, nos dias que antecederam sua prisão, teria sido alvo de campanha de desgaste público. No documento, cita o médico Rubens Carvalho de Oliveira, ex-diretor da Unimed, como responsável por disseminar conteúdos negativos em grupos de moradores e redes sociais. Segundo a denúncia, a atuação teria contribuído para fragilizar sua imagem pública. Rubens já foi investigado na operação Short Code, deflagrada em fevereiro, que apurou crimes cibernéticos e contra a honra, incluindo criação de site falso e envio de mensagens em massa.
Ao final do processo relacionado à Operação Efetá, Rodrigo da Costa Ribeiro foi condenado a 79 dias de prisão domiciliar por porte ilegal de munição, não havendo condenação por organização criminosa ou tráfico de drogas. Para a defesa, esse desfecho reforça a tese de que a investigação foi construída de forma indevida, com base em dados obtidos sem respaldo legal e em interpretações distorcidas de sua atuação profissional.
As denúncias apresentadas seguem sob análise da Polícia Federal e do Ministério Público. O caso reúne elementos que levantam questionamentos sobre possível corrupção em gestão condominial, violação de dados pessoais, abuso de autoridade e uso de estruturas institucionais em disputas privadas. Em meio a versões conflitantes e documentos sob sigilo, o episódio permanece em aberto, com potencial para novos desdobramentos.

