Culture Comunicação | Assessoria Vesi Consulting
Na última semana, estudantes inscritos nas três últimas edições do Enem escolheram quais serão as suas profissões. Nunca houve tantas opções de cursos, carreiras e caminhos profissionais disponíveis. Conforme dados do Governo Federal, são 7,3 mil cursos ofertados em 587 municípios do país. Para a consultora de orientação profissional e CEO da Vesi Consulting, Edilene Bocchi, esse excesso de possibilidades torna a escolha profissional mais complexa.
Segundo a especialista, a indecisão não está ligada à falta de talento, mas à dificuldade de compreender, na prática, o que cada profissão exige. “Uma mesma graduação permite dezenas de atuações diferentes. Isso amplia oportunidades, mas também aumenta a dúvida”, afirma.
A falta de experiência de vida também pesa. Muitos jovens passam direto da escola para a faculdade, sem contato prévio com o mercado de trabalho, o que dificulta escolhas mais conscientes. Ela aponta que deixar a decisão para a última hora é um dos erros mais comuns. A ausência de reflexão faz com que o estudante seja facilmente influenciado por expectativas familiares, status social ou promessas de altos salários. “Quando não se pensa sobre isso, alguém acaba decidindo por ele. Os pais, os amigos ou a profissão da moda”, destaca.
Esse cenário se reflete nos números das universidades públicas. A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) iniciou, em 2025, um diagnóstico para entender a evasão acadêmica. Dados da Coordenação de Administração Escolar mostram que, desde 2015, cerca de 32 mil estudantes abandonaram os cursos.
A consultora de carreira também chama atenção para as consequências quando um jovem inicia uma faculdade e percebe, no meio do caminho, que aquela não era a escolha certa. “Além do investimento financeiro, há desgaste emocional, frustração, impacto na autoestima e, muitas vezes, conflitos familiares. São anos de vida, energia e expectativas que não voltam”, alerta.
Segundo Edilene, um processo de orientação feito antes do ingresso no ensino superior é um investimento que pode evitar abandono de curso, trocas sucessivas de graduação e danos que vão muito além do bolso. Um acompanhamento estruturado de orientação profissional, com duração média de seis meses, pode reduzir significativamente esse problema.
“É um tempo necessário para ampliar opções, descartar caminhos com consciência e amadurecer a decisão”, afirma. Segundo ela, investir nesse processo evita o desperdício de tempo, de dinheiro e custos emocionais, que afetam não apenas o estudante, mas toda a família.
Em Mato Grosso, o poder público enxergou a problemática entre os jovens. A Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) começou a usar, em novembro de 2025, a plataforma FutureMe para ajudar estudantes do 9º ano e da 3ª série do Ensino Médio a pensar sobre o futuro profissional. A ferramenta funciona de forma interativa e ajuda os alunos a se conhecerem melhor, entenderem seus interesses e descobrirem como é o dia a dia de diferentes profissões.

