Ana Carolina Guerra
A cuiabana de coração e rondonopolitana de nascimento, Juliana Queiroz, construiu uma trajetória marcada pela determinação e pela busca constante por independência financeira. Ela iniciou sua jornada no ramo alimentício em 2007, quando buscava uma renda extra para complementar o salário de secretária na Primeira Igreja Batista. Incentivada por uma amiga que já trabalhava no segmento, Ju começou produzindo bombons e brigadeiros em casa.
“Na época, não existia esse nome de brigadeiro gourmet. Minha amiga dizia para eu chamar de bombom, porque já fazia recheado com frutas e morango, do jeitinho que existe hoje”, relembra.
Sem muitos recursos, recebeu da amiga os primeiros materiais e aprendeu o básico: brigadeiro branco, beijinho e outras receitas tradicionais. O que começou como um complemento de renda logo se tornou essencial. Trabalhava até de madrugada para produzir as bandejas com seis unidades, que eram vendidas na hora do almoço, principalmente na conhecida “rua das óticas”.
A vida mudou após sua primeira filha, Ruth. Já separada, viu nos doces a possibilidade de sustentar sozinha a família. Mudou-se para a casa dos pais e, com duas crianças pequenas, organizava a rotina entre escola, creche e produção. “Sempre gostei de vender. Tudo que caía na minha mão eu vendia”, conta. Entre doces, Mary Kay, lingerie e barras de coco, os bombons permaneciam como seu produto mais forte. Mesmo sem carro, Ju percorria empresas de ônibus, com malas e isopor, apresentando suas pequenas delícias. A filha mais velha, ainda criança, chegou a vender por conta própria, cena que marcou a empreendedora e reforçou sua força para continuar.
Com o tempo, a demanda cresceu e novas oportunidades surgiram. Amigos e clientes sempre elogiavam sua comida e sugeriam que abrisse um restaurante. A afinidade pela cozinha vem de família: os pais já tiveram pizzaria quando ela tinha 15 anos, e tanto a mãe goiana quanto a avó mineira contribuíram para seu repertório culinário. Ainda assim, Ju só se dedicou ao ramo alimentício anos depois.
Em 2023, retomou com força total o empreendedorismo gastronômico. Além dos pratos natalinos, passou a produzir salgados, pudim, bolo no pote e, claro, seu novo carro-chefe: a tortelete de morango, criada a partir da necessidade de aproveitar frutas que não serviam para o morango do amor. Com pesquisas e adaptações, combinou duas receitas e desenvolveu sua própria versão. O sucesso foi imediato. “A pessoa olhava e não dava nada, mas depois que experimentava… Vendia seis em um único lugar”, lembra. Hoje, suas empadinhas, de frango, carne-seca e queijo, também são campeãs de vendas.
Juliana ainda concilia o trabalho na cozinha com a função de closer de vendas diretas, sendo contratada por empresas e empreendedores para realizar vendas personalizadas via WhatsApp. Para ela, o atendimento humanizado segue sendo um diferencial num mercado cada vez mais automatizado.
Atendendo diretamente de sua casa no bairro Santa Terezinha, em Cuiabá, Ju realiza entregas próprias ou via aplicativo, dependendo da necessidade do cliente. Os valores variam de acordo com a qualidade dos insumos, um ponto que ela considera essencial.
“Trabalho com produto de primeira. Venda é uma via de mão dupla: se a pessoa não gostar, ela não compra mais. Por isso, preciso manter preço acessível, mas também valorizar meu trabalho”, afirma. Um dos destaques é o combo natalino, com cerca de 1,5 kg, farofa e acompanhamentos, por R$ 140.
Ao fazer um balanço de quase duas décadas de empreendedorismo, estima já ter atendido entre dois e três mil clientes. Mais que números, porém, Ju acumula histórias, aprendizados e resiliência. Para quem deseja começar no ramo, deixa um recado direto:
“Nunca desista. Se eu tivesse desistido, não estaria onde estou. Ande com pessoas que têm conhecimento maior que o seu, que te motivem. A mudança de mentalidade transforma destinos.”
Segundo ela, empreender não é apenas tentar, é agir.
“Quem tenta não faz. Se der errado, recalculo a rota e faço de novo. Eu nunca perco: ou aprendo, ou refaço. Empreender é um sonho, mas você precisa ser, para então ter. A mentalidade vem antes do resultado”, afirma.
Assim, entre desafios, jornadas de porta em porta e receitas que conquistam pela simplicidade e sabor, Juliana segue ampliando seu negócio e inspirando outras mulheres a encontrarem força na própria história.

