Ana Carolina Guerra
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes e irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) realiza nesta quinta-feira (26), às 9 horas, a 32ª reunião do colegiado, com a votação de 87 requerimentos que incluem quebras de sigilos bancários e fiscais, convocações e novos depoimentos. Entre os pedidos está o que solicita a quebra de sigilo de Fabio Luis Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O requerimento (REQ 2939/26) foi apresentado pelo relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL). Segundo ele, mensagens interceptadas em investigação mencionariam “o filho do rapaz” como possível destinatário de um pagamento de R$ 300 mil feito à empresa de Roberta Luchsinger, apontada como integrante do núcleo político do grupo investigado, associado ao chamado “Careca do INSS”. A eventual referência a Lulinha é citada como hipótese que, segundo o relator, precisa ser esclarecida por meio da análise dos dados financeiros.
Gaspar também menciona documentos que indicariam repasses de R$ 1,5 milhão da empresa Brasília Consultoria à RL Consultoria, de Roberta Luchsinger, sob justificativa de prestação de serviços de consultoria considerados fora do objeto principal da contratante. Para o relator, as transações podem indicar ausência de lastro econômico.
Além desse pedido, a comissão deve analisar o REQ 2941/26, referente às operações da empresária Danielle Miranda Fontelles, apontada como responsável por estruturas no exterior que teriam facilitado a circulação internacional de recursos e a lavagem de dinheiro. Também está na pauta o REQ 2564/25, que solicita a quebra de sigilo bancário e fiscal de Gustavo Marques Gaspar, com o objetivo de esclarecer a origem e o destino de movimentações consideradas atípicas e verificar eventual incompatibilidade entre rendimentos declarados e patrimônio constituído.
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Outros requerimentos incluem o REQ 2955/26, que trata da quebra de sigilo do Banco Master entre 1º de janeiro de 2015 e 31 de dezembro de 2025; o REQ 2607/25, referente à empresa Pay Brokers EFX Facilitadora de Pagamentos S.A.; e o REQ 2608/25, relativo à Foliumed Brasil Importação, Exportação e Comércio de Medicamentos LTDA. As instituições são mencionadas nas apurações sobre possíveis irregularidades em descontos consignados aplicados a beneficiários do INSS.
Após a votação dos requerimentos, os parlamentares ouvirão o empresário Paulo Camisotti, o deputado estadual Edson Araújo (MA) e o advogado Cecílio Galvão. Paulo é filho e sócio de Maurício Camisotti, preso sob acusação de envolvimento nas fraudes. Ele é investigado por suposta participação em esquema de descontos não autorizados. O pedido de convocação foi apresentado por parlamentares do partido Novo.
O deputado estadual Edson Araújo é citado em investigações da Polícia Federal por movimentações financeiras relacionadas a entidade ligada a trabalhadores da pesca e da aquicultura do Maranhão. Já o advogado Cecílio Galvão teria recebido cerca de R$ 4 milhões de entidades investigadas por fraude e é sócio de empresa que presta serviços a institutos de previdência em diferentes estados.
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A comissão também deve votar o REQ 1815/25, que convoca a diretora de Tecnologia da Informação do INSS, Léa Bressy Amorim. O autor do pedido, deputado Kim Kataguiri (União-SP), argumenta que a oitiva é necessária por ela ser responsável pela governança, infraestrutura e segurança cibernética dos sistemas da autarquia.
Instalada para apurar possíveis fraudes na concessão de benefícios e descontos não autorizados em aposentadorias e pensões, a CPMI tem ampliado o escopo das investigações com foco na rastreabilidade de recursos, na atuação de empresas intermediárias e na eventual participação de agentes públicos e privados. A deliberação desta quinta-feira pode definir novos rumos para as investigações e aprofundar o alcance das apurações em curso.

