Lula e Pacheco: presidente do Senado repreendeu fala do petista
Marcos Oliveira/Agência Senado – 20.12.2023
O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), disse nesta quarta-feira (21) que a cobrança por um pedido de desculpas do governo brasileiro a Israel foi para resolver “um problema diplomático grave” e que “nada abala” a relação dele com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na terça (20), em discurso no plenário, Pacheco criticou o petista por ele comparar as ações de defesa de Israel no conflito contra o grupo terrorista Hamas ao nazismo na Segunda Guerra Mundial. O presidente do Senado também disse que apesar da repreensão ao petista, “nada abala” a relação dele com Lula.
Veja também
Brasília
Pedido de impeachment de parlamentares cita elogio do grupo terrorista Hamas à fala de Lula
Internacional
‘O Brasil não aceita um mundo em que as diferenças são resolvidas pelo uso da força’, diz Mauro Vieira
Brasília
Chanceler de Israel publica vídeo com brasileira que estava em festa atacada pelo Hamas e critica Lula
“Isso não influenciará negativamente a minha relação com o presidente Lula, tanto pessoal quanto institucional. O que significou meu pronunciamento ontem, longe de uma repreensão, foi a busca de uma solução de um problema diplomático grave, que se apresenta em função de uma fala do presidente Lula”, afirmou.
Na sessão de ontem, Pacheco disse que a fala do petista foi “equivocada” e que merece um pedido de desculpas. “Não há como estabelecer um comparativo com a perseguição sofrida pelo povo judeu no nazismo”, completou.
A fala de Lula também gerou reações de outros parlamentares. Na Câmara, um grupo de deputados federais apresentou um pedido de impeachment contra o petista.
Entenda
A declaração de Lula foi feita em entrevista coletiva no último domingo (18), depois da participação do presidente na 37ª Cúpula de Chefes de Estado e Governo da União Africana, em Adis Adeba, capital da Etiópia. “O que está acontecendo na Faixa de Gaza, com o povo palestino, não existiu em nenhum outro momento histórico. Aliás, existiu quando Hitler decidiu matar os judeus”, disse.
Após as declarações de Lula, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, criticou o presidente e descreveu suas palavras como vergonhosas e graves. Ele anunciou que o ministro das Relações Exteriores, Israel Katz, convocaria o embaixador brasileiro em Israel, Frederico Meyer, para uma “dura” repreensão formal.
“Trata-se de banalizar o Holocausto e de tentar prejudicar o povo judeu e o direito de Israel se defender. Comparar Israel ao Holocausto nazista e a Hitler é cruzar uma linha vermelha. Israel luta pela sua defesa e pela garantia do seu futuro até à vitória completa e fará isso ao mesmo tempo, em que defende o direito internacional”, declarou nas redes sociais.
O presidente de Israel, Isaac Herzog, também foi às redes sociais para dizer que condena veementemente a declaração do presidente do Brasil. Herzog disse que há uma “distorção imoral da história” e apela “a todos os líderes mundiais para que se juntem a mim na condenação inequívoca de tais ações”.
Entidades e organizações também criticaram a declaração de Lula. A Conib (Confederação Israelita do Brasil) repudiou a fala. A instituição classificou a afirmação como “distorção perversa da realidade que ofende a memória das vítimas do Holocausto e de seus descendentes”.

