A Great Wall Motors optou por iniciar o lançamento da marca com o Haval H6 híbrido cerca de um ano atrás. Após alguns meses, a marca introduziu o Ora 03 elétrico, um compacto que entra na competição com o BYD Dolphin, atualmente o veículo deste perfil mais vendido do país. Tanto é que o Ora 03 começa a aparecer no ranking de vendas com 763 unidades entregues em janeiro, enquanto o Dolphin segue em alta com 1.820 unidades no mesmo período. O R7-Autos Carros testou o Ora 03 Skin, o modelo de entrada da gama, com motor de 171 cv e preço de R$ 150 mil. As linhas do Ora já são conhecidas, mas aqui, na versão Skin, tornam-se mais evidentes. As formas curvas, o farol redondo e o perfil hatch mesclam conceitos como o Mini Cooper, o Fusca e o Porsche, e até mesmo o Nissan March. Com 4,23m de comprimento, 1,82m de largura e 2,65m de entre-eixos, o Ora é um pouco mais longo e um pouco mais alto que o Dolphin, que possui 1,60m. O porta-malas tem apenas 228 litros e o peso é igual ao do concorrente: 1.405kg. O ponto alto do Ora 03 é o seu motor. Na versão de entrada, o hatch elétrico conta com 171 cv e 25,5 kgfm de torque, alimentado por uma bateria de 48 kWh da marca CATL. Promete alcançar de 0 a 100 km/h em 8,2 segundos, com velocidade máxima de 160 km/h. Isso representa 76 cv a mais do que o concorrente da BYD. Essas baterias proporcionam uma autonomia de 232 km no ciclo Inmetro e 319 km no WLTP. Na primeira carga, o veículo facilmente alcançou os 300 km em nosso teste, mesmo com 7% de carga restante, percorrendo apenas pela cidade. Ao ser recarregado em um wallbox residencial, levou 7 horas para atingir 100% de autonomia. Bem equipado, o Ora 03 vem com um pacote interessante mesmo na versão de entrada. Conta com ACC (Controle de Cruzeiro Adaptativo), sistema de frenagem automática e manutenção da distância em relação ao carro à frente. Além disso, possui câmeras integrais com boa resolução, alerta de ponto cego e até mesmo monitoramento do trânsito por meio de imagens 3D projetadas no painel. Durante o nosso teste, agora mais longo com o Ora, nota-se a proposta de esportividade em um carro com linhas familiares. Ele é rápido, especialmente no modo Sport, e possui uma direção bem precisa e calibrada, porém é um pouco “duro” em alguns comportamentos da suspensão de pouco curso. Os sistemas de segurança ativos alertam para obstáculos a todo momento e, às vezes, em excesso. No entanto, é possível atenuar esse comportamento ou se acostumar com ele. A posição de dirigir é confortável, com o painel bem afastado, onde se nota o bom acabamento e bons encaixes em geral. Há duas telas, uma para o cluster e outra para a multimídia, com um perfil um pouco “fosco”, caracteres que poderiam ser maiores, mas com bons comandos e, de certa forma, controles intuitivos. A câmera possui uma boa resolução, e há um sistema eficiente de gestão de carga, além de um sistema de som de boa qualidade. Há um bom aproveitamento do espaço interno, onde os passageiros do banco traseiro desfrutam do vão livre sem um túnel central, bancos mais inclinados para trás e uma boa altura que comporta pessoas com mais de 1,80m com facilidade. Na prática, o Ora possui um entre-eixos menor que o do concorrente, mas aparenta ser maior. É uma pena que o porta-malas seja tão diminuto e raso. No dia a dia, o Ora surpreende pela aceleração que proporciona, e a autonomia é bastante interessante para um carro com uma bateria de 48 kWh. Na cidade, supera os 300 km, muito além dos 230 km prometidos pelo Inmetro. O veículo vem com cinco anos de garantia, porém cobra R$ 3.300 pelas revisões até os 72 mil km, algo que o concorrente vem sendo agressivo ao oferecer como parte do pós-venda inicial sem custo. O carro inclui um cabo de 3,5 kW, que leva mais de 12 horas para carregar, sendo sempre ideal adquirir um wallbox com 7 kW para os “abastecimentos” em casa. Por R$ 150 mil, o Ora Skin se mostra bem interessante pela relação custo/potência entregue ao consumidor, destacando a polivalência do carro elétrico pelo mesmo preço de um SUV compacto com motor 1.0 turbo, mas oferecendo uma entrega de potência significativamente superior. Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

