O conselheiro Guilherme Antônio Maluf, do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), afastado do cargo durante a Operação Tomada de Contas, deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira (29), foi o relator responsável pelo parecer favorável às contas de governo de 2025 do prefeito de Canarana (a cerca de 646 km de Cuiabá), Vilson Biguelini.
O parecer foi divulgado no dia 13 de outubro e aprovado por unanimidade pelo Tribunal de Contas. A decisão ocorreu 16 dias antes da operação que resultou no afastamento do conselheiro.
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Maluf foi alvo de medidas cautelares determinadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no âmbito de uma investigação que apura possíveis irregularidades em contratos administrativos, pagamentos indevidos e desvios de recursos públicos dentro do TCE-MT.
Embora não tenha sido preso, o conselheiro foi afastado de suas funções públicas e proibido de acessar as dependências do Tribunal. A Justiça também determinou a entrega de seu passaporte e impôs restrições a movimentações patrimoniais superiores a R$ 50 mil.
Segundo informações divulgadas pelo Ministério Público Federal (MPF), sete conselheiros investigados teriam recebido aproximadamente R$ 48,4 milhões em um período inferior a dez meses. No mesmo intervalo, os valores registrados no Portal da Transparência somavam cerca de R$ 2,2 milhões.
A investigação também resultou no cumprimento de mandados de prisão preventiva, buscas e apreensões contra outros investigados, incluindo o presidente do TCE-MT, Sérgio Ricardo.
Antes de ser afastado, Guilherme Maluf atuou como relator das contas referentes ao primeiro ano da administração de Vilson Biguelini, em Canarana. O parecer prévio favorável foi aprovado por unanimidade pelos integrantes da Corte de Contas.
Apesar da proximidade entre as datas, não há informações públicas que indiquem que a análise das contas da Prefeitura de Canarana esteja relacionada às irregularidades investigadas pela Polícia Federal.
O parecer favorável emitido pelo TCE-MT não representa a aprovação definitiva das contas municipais, uma vez que o julgamento final cabe à Câmara Municipal de Vereadores.
A Operação Tomada de Contas segue sob investigação, com parte dos procedimentos protegida por segredo de Justiça.

