Cuiabá (MT), outubro de 2026 – O câncer de mama continua sendo muito mais frequente em mulheres acima dos 50 anos, mas também pode atingir pacientes mais jovens. Durante o Outubro Rosa, o alerta é para que alterações persistentes nas mamas não sejam ignoradas apenas porque a mulher está fora da faixa etária em que a doença é mais comum.
Segundo o oncologista Dr. Eduardo Romero, do Hospital Santa Rosa, a idade permanece como um dos principais fatores de risco para o câncer de mama. Por isso, o aumento de casos observado entre mulheres jovens não significa que a doença tenha se tornado predominante nessa faixa etária. Ainda assim, alguns fatores podem ajudar a explicar esse movimento.
“Provavelmente não existe uma única explicação. Há uma combinação de fatores comportamentais e ambientais, mudanças relacionadas à vida reprodutiva, excesso de peso, sedentarismo, consumo de álcool e, em uma parcela das pacientes, fatores genéticos e hereditários”, explica.
Quando ocorre em mulheres jovens, o câncer de mama pode apresentar algumas características diferentes. De acordo com o médico, determinados subtipos de tumores associados a comportamento mais agressivo podem aparecer proporcionalmente com maior frequência nesse grupo. Isso, porém, não significa que todo câncer diagnosticado em uma paciente jovem será mais grave.
“O comportamento depende principalmente do subtipo do tumor, do estágio, do comprometimento dos linfonodos e de outras características biológicas. Hoje, justamente por conhecermos melhor essas características, o tratamento pode ser bastante individualizado”, afirma.
Alterações merecem avaliação
A maioria das alterações encontradas nas mamas de mulheres jovens não está relacionada ao câncer. Mesmo assim, mudanças novas ou persistentes devem ser avaliadas por um profissional de saúde.
Entre os sinais que merecem atenção estão nódulo endurecido ou que esteja aumentando, alteração no formato ou tamanho da mama, retração da pele ou do mamilo, pele com aspecto de “casca de laranja”, secreção espontânea pelo mamilo, feridas que não melhoram e aumento de gânglios na região das axilas ou do pescoço.
“Nem todo nódulo significa câncer. Alterações benignas são muito comuns em mulheres jovens. O ponto fundamental é não tentar fazer o diagnóstico sozinha e não esperar meses para ver se desaparece”, orienta o Dr. Romero.
A percepção de que o câncer de mama é uma doença ligada principalmente às mulheres mais velhas também pode atrasar a procura por avaliação. Um caroço, por exemplo, pode ser inicialmente associado a alterações hormonais, cistos ou outras condições benignas, que são mais comuns nessa faixa etária.
Para o médico, o cuidado é evitar os dois extremos: não transformar qualquer alteração em motivo de medo, mas também não ignorar um sinal persistente.
“A mensagem não deve ser ‘toda mulher jovem com um caroço tem câncer’. A maioria das alterações não será câncer, mas uma alteração persistente ou suspeita precisa ser investigada independentemente da idade”, reforça.
Diagnóstico precoce amplia possibilidades
Quando o câncer de mama é identificado em estágio inicial, existem mais possibilidades de tratamento. Dependendo das características de cada caso, podem ser utilizados cirurgia, radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia e terapias-alvo.
Nos casos em que a doença está localizada, também pode haver maior possibilidade de preservar a mama, dependendo do tamanho e da localização do tumor e de outras características da paciente.
“Descobrir cedo não significa apenas tratar mais cedo; pode significar ter mais opções terapêuticas, maior potencial de cura e menor impacto da doença e de seu tratamento. E isso vale não somente para pacientes jovens, mas para qualquer idade quando falamos de câncer”, afirma o médico.
Tratamento integrado
O Hospital Santa Rosa oferece assistência ao paciente oncológico desde consultas e exames até diferentes modalidades de tratamento. A estrutura reúne Oncologia clínica e cirúrgica, Radioterapia, exames de imagem, análises clínicas, internação hospitalar, leitos de UTI e acompanhamento ambulatorial.
O Centro de Oncologia do Santa Rosa, localizado no Santa Rosa Tower, em frente ao hospital, conta com boxes individualizados para realização de quimioterapia. A instituição também realiza cirurgias oncológicas, incluindo procedimentos robóticos quando há indicação médica.
Além da estrutura, o atendimento envolve equipe médica e multiprofissional, que atua de forma integrada nas diferentes etapas do cuidado. Esse acompanhamento permite considerar não apenas o tratamento da doença, mas também as necessidades de cada paciente ao longo do processo, desde a investigação e definição da conduta até o acompanhamento durante o tratamento.
“O câncer não sabe que o Outubro é Rosa”
Com o mote “O câncer não sabe que o Outubro é Rosa”, a campanha deste ano do Hospital Santa Rosa reforça que a atenção ao câncer de mama não deve ficar concentrada apenas no mês de outubro. A proposta é lembrar que sinais e alterações podem surgir em qualquer época do ano e que prevenção, acompanhamento e investigação precisam fazer parte do cuidado contínuo com a saúde.
A campanha também chama atenção para um comportamento comum: muitas mulheres aproveitam o Outubro Rosa para retomar exames e consultas que acabam sendo adiados ao longo do ano. A orientação é justamente ampliar esse cuidado para além da campanha, mantendo acompanhamento regular e procurando avaliação médica sempre que houver alguma alteração persistente.
“Cuide da saúde ao longo de todo o ano, conheça o que é normal para o seu corpo e, diante de uma alteração persistente, procure atendimento. O diagnóstico precoce pode fazer uma grande diferença”, reforça o Dr. Eduardo Romero.

