Quando Andressa Borsato aceitou participar da CASACOR Mato Grosso, em 2016, ainda era estudante de Design de Interiores. Não tinha escritório estruturado, equipe ou carteira de clientes. O convite, que poderia ter sido apenas uma experiência durante a formação, acabou mudando o rumo de sua vida profissional.
Dez anos depois, aos 39, Andressa atua no mercado de projetos e obras de alto padrão, acumula formação no Brasil e na Itália, participações em mostras, premiações e criações autorais. A primeira década também abre uma nova fase, com lançamentos que levam a identidade da marca para além dos projetos de interiores.
A trajetória até aqui, porém, não foi linear. Antes de encontrar no Design sua profissão, Andressa passou pela Medicina, formou-se em Administração pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e teve experiência na Ambev.
Foi perto dos 30 anos que decidiu mudar de direção.
“Eu já entrei nesse mercado um pouco mais madura. Hoje vejo que a Administração e a gestão me deram muito direcionamento. Mesmo sem ter planejado exatamente esse caminho, foi uma construção que fez sentido”, afirma.
Uma oportunidade virou negócio
O ponto de virada aconteceu ainda durante a formação. Em 2016, Andressa recebeu o convite para participar da CASACOR Mato Grosso. Seu ambiente ganhou reconhecimento da imprensa logo na inauguração e a exposição abriu caminho para a chegada dos primeiros clientes.
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Ela considera 10 de outubro daquele ano como o marco inicial de sua trajetória empresarial.
“Eu não tinha escritório, não tinha funcionária e nem computador para montar uma equipe. A CASACOR me obrigou a estruturar o negócio porque os clientes começaram a chegar naturalmente.”
A primeira contratação também surgiu de maneira inesperada. Uma jovem procurou Andressa pedindo uma oportunidade de trabalho. Mesmo sem ter uma estação para recebê-la, a designer a convidou para acompanhá-la. No mês seguinte, montou a estrutura e começou a formar a equipe.
Foi nesse momento que uma formação aparentemente distante do Design passou a fazer diferença. A Administração trouxe para o novo negócio conceitos de planejamento, processos, gestão de pessoas e organização, que foram incorporados à rotina do escritório.
De Mato Grosso a Milão
Se a gestão ajudou a organizar o negócio, o estudo tornou-se uma constante na carreira.
Andressa formou-se em Design de Interiores pela ABRA, fez pós-graduação em Design de Mobiliário pelo Istituto Europeo di Design (IED), com estudos em São Paulo e Milão, cursou Interior Designer for Professionals no Istituto Marangoni, na Itália, além de pós-graduação em Neuroarquitetura e MBA em Arquitetura de Luxo.
Milão passou a ocupar um lugar importante em sua formação. O contato com arte, arquitetura, mobiliário, feiras e movimentos contemporâneos ampliou o repertório levado para os projetos no Brasil.
Para Andressa, no entanto, acompanhar tendências não significa reproduzi-las.
“Eu estudo tendências, mas isso precisa fazer sentido para quem vai morar naquela casa. A estética é a cereja do bolo. Antes dela existe todo um estudo técnico.”
Por isso, seus projetos não seguem uma única linguagem. A criação parte da leitura do cliente, da arquitetura, da rotina da família e da experiência que aquele espaço precisa proporcionar.
Do desenho à casa pronta
Outro aprendizado da primeira década foi entender que um bom projeto não termina no desenho.
A atuação do escritório passou a envolver as diferentes etapas necessárias para transformar a ideia em um ambiente pronto: acompanhamento de compras, gerenciamento de orçamentos, fornecedores, acompanhamento durante a obra, montagem e produção.
“Eu sempre digo que o cliente não contrata de mim um papel ou um desenho. Ele contrata a casa pronta para morar.”
Essa visão também mudou a forma de enxergar o próprio papel do designer. Para Andressa, beleza precisa estar associada à funcionalidade e à maneira como cada pessoa vive.
O cuidado vai da distribuição dos ambientes à escolha dos materiais, mobiliário e obras de arte, passando pelo orçamento e pela relação com fornecedores.
Reconhecimento e criações autorais
Ao longo dos dez anos, Andressa participou de três edições da CASACOR, duas Mostras Artefacto, além das mostras Le Marche e Sofisticato. A trajetória também reúne premiações e reconhecimentos no Brasil e no exterior.
O trabalho chegou ainda ao desenho de produtos.
Entre as criações autorais estão o pendente Borsato, desenvolvido para a Scatto; o tapete Ouro Brando, para a Tapetah; e o tapete Mato Grosso, para a Santa Monica.
A experiência acumulada também trouxe algo que Andressa considera essencial: segurança para decidir.
“Hoje vejo o quanto sofria por coisas que não me tirariam mais o sono. O tempo traz segurança porque você já viveu aquelas situações.”
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Recomeçar perto dos 30
Ao olhar para a própria trajetória, Andressa considera que ter iniciado uma nova profissão mais madura acabou sendo uma vantagem.
O conhecimento adquirido em outras áreas não foi perdido. A Administração ajudou a estruturar a empresa, as viagens ampliaram seu repertório e as dificuldades dos primeiros projetos trouxeram experiência.
A história pode servir de inspiração justamente para quem acredita que existe idade certa para começar ou mudar de profissão.
Dez anos depois de fazer essa escolha, Andressa continua estudando. Atualmente está no oitavo semestre de Arquitetura e pretende ampliar a integração entre arquitetura, interiores e execução nos próximos anos.
“Foi um caminho que não estava planejado, mas foi sendo construído. Acho que a maturidade me ajudou a tomar decisões melhores.”
Dez anos e uma nova fase
A celebração da primeira década também marca a expansão da experiência da marca para outros elementos ligados à casa.
Entre as novidades está a Figo Noir, nova essência criada para marcar sensorialmente os 10 anos da trajetória. O lançamento se soma à proposta de levar aromas e identidade para os ambientes, ampliando a experiência para além da estética visual.
Outro lançamento é a DIECI, coleção de peças em acrílico desenvolvida especialmente para a comemoração. A ideia é transformar repertório, estética e curadoria em produtos que também possam fazer parte do cotidiano das pessoas.

