O PL pretende ampliar a pressão sobre o Supremo Tribunal Federal (STF) a partir de 2027 e trabalha para reunir votos suficientes no Senado para abrir um processo de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes. Flávio Dino também entrou no radar da legenda, dependendo de sua atuação após o segundo turno da eleição presidencial.
A movimentação ocorre após integrantes do partido interpretarem ações de uma ala do Supremo como uma tentativa de abrir diálogo com o grupo político ligado a Flávio Bolsonaro. Entre os pontos que poderiam fazer parte dessa aproximação estariam uma eventual revisão da prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. O PL, no entanto, descarta uma negociação envolvendo Moraes.
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Nos cálculos da legenda, 49 senadores já estariam dispostos a apoiar o impeachment de Alexandre de Moraes. Para que um ministro do STF seja condenado em processo de impeachment no Senado, são necessários 54 votos, equivalentes a dois terços dos 81 senadores.
A ofensiva contra Moraes não é inédita. O Senado já recebeu pedidos de impeachment contra o ministro. Em setembro, o senador Carlos Viana (PSD-MG) protocolou uma nova iniciativa após a divulgação de informações envolvendo Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O ministro Flávio Dino também poderá enfrentar uma ofensiva do PL. Segundo a apuração divulgada pela CNN Brasil, a decisão dependerá principalmente de sua atuação caso Flávio Bolsonaro vença a disputa presidencial.
Entre os temas acompanhados pela legenda estão investigações relacionadas a uma possível interferência estrangeira nas eleições brasileiras e apurações sigilosas sobre irregularidades no uso de emendas parlamentares.
Dino já é alvo de pedido de impeachment no Senado. Uma representação apresentada em outubro de 2025 pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE), com apoio de outros parlamentares, permanece em tramitação e aguarda despacho.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) também defendeu publicamente o avanço contra Moraes. Ao comentar eventuais gestos do ministro em direção ao grupo político de direita, o parlamentar afirmou que o impeachment é “inegociável”.
Já o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, adotou uma posição mais cautelosa. Ele afirmou que a decisão caberá aos senadores e defendeu equilíbrio na condução do assunto.
A discussão ganhou força após o resultado das eleições para o Senado. O avanço de parlamentares de direita aumentou a pressão sobre o Supremo e tornou a composição da Casa a partir de 2027 um dos principais pontos da articulação política envolvendo possíveis pedidos de impeachment contra ministros da Corte.

