Fotos antigas do deputado federal e candidato ao Senado José Medeiros (PL), divulgadas nesta sexta-feira (25) pelo site Folha de Mato Grosso, voltaram a chamar a atenção para sua trajetória política. Nas imagens, o parlamentar aparece vestindo uma camisa vermelha e discursando ao lado do ex-prefeito de Rondonópolis Percival Muniz, durante o período em que ambos integravam o Partido Popular Socialista (PPS), atual Cidadania.
Os registros ganharam repercussão após Medeiros utilizar a expressão “melancia” em sua campanha eleitoral para criticar políticos que se apresentam como representantes da direita, mas possuem histórico de alianças com partidos de esquerda.
Em uma propaganda exibida em agosto, o candidato aparece cortando uma melancia enquanto questiona a identidade ideológica de adversários. A expressão, utilizada por setores bolsonaristas, faz referência a políticos que seriam verdes por fora e vermelhos por dentro.
Medeiros presidiu o PPS em Rondonópolis
A ligação de José Medeiros com o PPS foi além da filiação partidária. O parlamentar chegou a presidir o diretório municipal da legenda em Rondonópolis e manteve uma relação política próxima com Percival Muniz, uma das principais lideranças históricas da esquerda mato-grossense.
A relação também teve importância na chegada de Medeiros ao Congresso Nacional. Em pronunciamento no Senado, em dezembro de 2018, ele reconheceu que Percival foi responsável por indicá-lo para ocupar a suplência de Pedro Taques nas eleições de 2010.
Medeiros assumiu o mandato de senador em 2015, depois que Taques deixou o Congresso para governar Mato Grosso.
Propaganda com melancia reacende discussão sobre alianças políticas
O histórico partidário do candidato voltou ao debate justamente quando ele passou a utilizar antigas alianças de adversários com a esquerda como argumento eleitoral.
Em agosto, Medeiros protagonizou uma propaganda em que cortava uma melancia e criticava políticos que, segundo ele, adotavam um discurso conservador durante as eleições, mas assumiam posições diferentes em Brasília.
A peça foi interpretada nos bastidores como uma indireta ao senador Wellington Fagundes (PL), candidato ao Governo de Mato Grosso. Posteriormente, Medeiros negou que Wellington fosse o alvo e afirmou que a mensagem era direcionada a candidatos ao Senado, citando Carlos Fávaro (PSD).
Outro episódio de sua trajetória também foi recuperado durante a campanha. Em 2018, quando foi eleito deputado federal pelo Podemos, Medeiros integrou uma coligação que reunia oito partidos, entre eles o PT, conforme registros da Justiça Eleitoral divulgados pelo Estadão Mato Grosso.
A passagem pelo PPS e as antigas alianças políticas não são negadas por Medeiros. Segundo a Folha de Mato Grosso, o parlamentar já afirmou não ter vergonha de suas posições anteriores e defendeu o direito de mudar de pensamento político.
Agora, com a divulgação das fotografias, o histórico do candidato volta a ser discutido em meio à campanha eleitoral de 2026. Os registros mostram uma fase anterior à sua aproximação com o bolsonarismo e evidenciam as diferentes alianças que marcaram sua carreira política em Mato Grosso.

