O preço da saca de soja em Mato Grosso registrou alta de 1,63% na última semana, de acordo com o novo boletim divulgado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) nesta segunda-feira (22). Essa valorização está relacionada, em parte, com o movimento positivo observado na Bolsa de Chicago.
De acordo com o instituto, a melhoria do preço trouxe novo fôlego à comercialização do grão no estado, tanto para a soja disponível da safra 2025/26 quanto para a produção da temporada 2026/27.
Neste mês de setembro, a comercialização da safra 2025/26 alcançou 96,90% da produção. E para o próximo ciclo, o movimento também ganhou ritmo diante das oportunidades de preços observadas no mercado internacional, com 39,12% da soja já comercializada. Em Chicago, os vencimentos futuros chegaram a registrar cotações acima de US$ 13 por bushel, abrindo janelas de negociação para os produtores.
Conforme indica o novo boletim do Imea, o custeio da soja para a safra 2026/27 ficou estimado em R$ 4.326,01 por hectare em agosto, equivalente a 38,69 sacas por hectare. O valor apresentou ajuste de 0,06% em relação ao mês anterior e agora está próximo da consolidação prevista para outubro, uma vez que as compras de insumos para a temporada estão praticamente encerradas.
O custo projetado também está 2,08% acima do observado na safra 2025/26, quando o custeio foi consolidado em 37,90 sacas por hectare. Com custos maiores e a perspectiva de impacto do fenômeno El Niño sobre a produtividade da oleaginosa, o preço de venda ganha importância na composição da rentabilidade da atividade.
O superintendente do Imea, Cleiton Gauer, explica que a valorização observada nos últimos meses em Chicago mudou o ritmo de comercialização dos produtores mato-grosssensses.
Clique aqui para entrar em nosso grupo do whatsapp
“Esse movimento de alta ao longo dos últimos meses em Chicago tem trazido um novo fôlego, um novo ânimo para os produtores, tanto na soja disponível quanto na safra futura. Os produtores têm aproveitado esse momento para começar a comercializar um volume maior em relação aos últimos anos”, afirmou.
De acordo com Cleiton, o movimento também representa uma tentativa dos produtores de aproveitar momentos de maior valorização para reduzir a exposição às oscilações futuras do mercado. A comercialização da safra 2026/27 já está num ritmo superior ao observado em temporadas recentes.
“Reacendeu um pouco desse movimento, o produtor tentando travar um pouco mais dessa soja, principalmente no próximo ano, acelerando um pouco mais do que nós tínhamos comercializado no mesmo período do ano anterior, em relação à média dos últimos cinco anos”, destacou.
Apesar da melhora nas cotações, o cenário ainda não é suficiente, segundo o Imea, para provocar uma mudança significativa na área cultivada com soja em Mato Grosso.
Cleiton explica que a decisão de ampliar investimentos em novas áreas envolve planejamento de longo prazo e não costuma ser alterada apenas por movimentos pontuais de valorização.
“Apesar dessa alta significativa ao longo dos últimos meses, ainda assim não é um movimento suficiente para ampliar esses investimentos, aumentar a área cultivada aqui no estado, dado que esse período requer um investimento significativo e uma organização por parte do produtor de longo prazo”, finalizou.
Clique aqui para entrar em nosso grupo do whatsapp
Semeadura da próxima safra
A semeadura da soja da safra 2026/27 começou em Mato Grosso e alcançou 1,15% da área estimada até a sexta-feira, 18 de setembro, segundo o Imea. O percentual está 0,60 ponto percentual acima do registrado no mesmo período da temporada passada.
Os primeiros trabalhos se concentram principalmente nas regiões onde as condições de umidade permitiram a entrada das máquinas.
A região oeste do estado, composta por Sapezal e Campo Novo do Parecis, saiu na frente com o plantio, com 2,19% da área semeada.

