As integrantes do grupo “As Faixas Rosa”, formado por missionárias que atuavam no projeto religioso “Resgatando Vidas”, na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, teriam mantido relações próximas com presos apontados como integrantes de uma facção criminosa, segundo informações reunidas pela Polícia Civil durante a Operação Fariseus. A lider, Rhavenna Barcelos de Almeida, foi presa na investigação.
De acordo com o inquérito, as mulheres conversavam em um grupo de WhatsApp e compartilhavam informações sobre visitas, contatos e relacionamentos mantidos com detentos, lideranças, foragidos e outros integrantes da organização criminosa. Entre as participantes do grupo estava Rhavenna, que foi presa durante a operação sob suspeita de utilizar o projeto religioso para auxiliar integrantes da facção com apoio logístico, financeiro e comunicação.
Também aparecem nas investigações os nomes de Wiara Lima Cadore, Karolina Lopes Padilha, Jéssi Mariane Araújo dos Anjos, Lais Barbosa Lopes e Lo Rhuama Barcelos de Almeida Gobbi, irmã de Rhavenna. Mensagens analisadas pelos investigadores indicam que algumas integrantes comentavam sobre as visitas realizadas aos detentos e, segundo a Polícia Civil, faziam referências a relacionamentos de natureza intima com presos.
Em uma das conversas, Wiara teria afirmado que pretendia visitar diferentes detentos em sequência para evitar conflitos entre eles. “Gata, cada dia eu vou visitar um. Você acha que eu venho? Vou aproveitar o feriado, porque é dia de presídio. Vou aproveitar a sexta-feira, porque é dia de presídio. Gata, vai ser um por um, para nenhum ficar brigado um com o outro. Então vou visitar todos”, diz a mensagem atribuída a ela.
Clique aqui para entrar em nosso grupo do whatsapp
Em outro diálogo, registrado em 21 de novembro de 2025, Wiara relatou às demais integrantes que havia acabado de retornar da unidade prisional. “Vi meu amigo, para mais informação, ele mandou um beijo para cada uma. Se vocês quiserem, eu tiro do meu corpo e passo para vocês”, escreveu.
Na sequência, Karolina teria feito uma provocação envolvendo Rhavenna: “Rhavenna segurou a cortina pra você?”. Wiara respondeu: “Segurou muito bem”. Para os investigadores, o conteúdo da conversa apresenta conotação sexual e seria um dos elementos que levantaram a suspeita de que as visitas não estariam restritas às atividades de assistência religiosa.
Outro diálogo, de 4 de dezembro de 2025, também foi citado no inquérito. Na ocasião, Karolina teria mencionado alguns detentos e escrito: “Vamo ficar com ele com o louco e com o wita aí o resto a gente deixa pras meninas”. Na mesma conversa, foram citados os apelidos “folha”, “jacaré” e “batman”. Wiara acrescentou: “Com o buchudo”.
Segundo a investigação, os apelidos seriam referências a pessoas ligadas à estrutura da facção, entre elas Sandro Louco, Paulo Wita, Jonas Souza Gonçalves Junior, conhecido como Batman, e Leonardo de Jesus, o Buchudo. Em outro trecho, após Karolina afirmar “Mari fica com o buchudo”, Wiara respondeu: “Eu não aceito, vou entrar sexta-feira na PCE só pra ele me bater”.
As mensagens também teriam revelado que os contatos não se restringiam aos dias de visita. Em 2 de fevereiro de 2026, Wiara publicou no grupo uma anotação intitulada “Minha lista da PCE /L/P/R/T”e acrescentou: “Por ordem alfabética”.
Clique aqui para entrar em nosso grupo do whatsapp
Conforme a interpretação dos investigadores, as iniciais poderiam corresponder a nomes de pessoas ligadas à unidade prisional. Em outro diálogo, Karolina teria comentado sobre suas preferências e escrito: “um que na PCE do que qualquer um da rocinha”. Na sequência, acrescentou: “Não basta ser bandido, tem que ser preso”. Wiara então perguntou: “Soldado?”.
Segundo o inquérito, a expressão “soldado” estaria relacionada a integrantes que teriam ligação com Batman e com os quais as missionárias teriam tido contato durante viagens ao Rio de Janeiro. As colegas que integravam o grupo, Wiara Lima Cadore, Karolina Lopes Padilha, Jéssi Mariane Araújo dos Anjos e Lais Barbosa Iones foram indiciadas pelo crime de falso testemunho.
Fonte: Folha Max

