O senador Carlos Fávaro (PSD), candidato à reeleição por Mato Grosso, procurou a Polícia Federal para denunciar a suspeita da existência de uma estrutura de “arapongagem” que estaria sendo utilizada para monitorar candidatos durante as eleições de 2026.
Fávaro prestou depoimento pessoalmente nesta terça-feira (8) e entregou às autoridades informações que havia recebido de forma anônima. Segundo o relato apresentado pelo parlamentar, haveria grupos organizados para acompanhar adversários políticos e realizar possíveis escutas durante o período eleitoral.
Até o momento, as informações apresentadas não significam que a existência do suposto esquema esteja comprovada. A iniciativa de Fávaro busca justamente levar o conteúdo ao conhecimento das autoridades para que a eventual existência da estrutura, seus responsáveis e possíveis alvos sejam apurados.
O senador demonstrou preocupação de que Mato Grosso possa enfrentar novamente um episódio semelhante ao que ficou conhecido como “Grampolândia Pantaneira”, escândalo envolvendo interceptações telefônicas clandestinas que ganhou repercussão nacional durante o governo de Pedro Taques.
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Caso reacende memória da Grampolândia
A chamada Grampolândia veio a público em 2017, após denúncias sobre um suposto esquema clandestino de espionagem. À época, mais de 100 pessoas teriam sido alvo de interceptações, entre políticos, advogados, médicos e jornalistas.
Segundo as investigações daquele período, números de pessoas que não eram investigadas por crimes teriam sido incluídos indevidamente em procedimentos relacionados ao tráfico de drogas, permitindo a realização de interceptações telefônicas. O Superior Tribunal de Justiça chegou a analisar investigações relacionadas às escutas clandestinas.
O episódio voltou ao debate político justamente nesta semana. Em entrevista divulgada na terça-feira (8), Pedro Taques afirmou que a história da Grampolândia teria sido “inventada” pelo então secretário de Segurança Pública Mauro Zaque. Taques e outros integrantes de sua antiga gestão chegaram a responder a procedimentos relacionados ao caso e posteriormente foram absolvidos.
Suspeita surge em meio à disputa eleitoral
A denúncia apresentada por Fávaro ocorre em um momento de forte acirramento da disputa pelas vagas de Mato Grosso no Senado.
O parlamentar concorre à reeleição pelo PSD e tem registro de candidatura deferido para a eleição deste ano.
A suspeita de monitoramento de candidatos ganha ainda mais peso político diante das acusações que vêm sendo trocadas entre os concorrentes ao Senado. Nas últimas semanas, operações e investigações da Polícia Federal também passaram a integrar diretamente o discurso eleitoral em Mato Grosso.
Em agosto, por exemplo, Mauro Mendes acusou adversários, entre eles Fávaro, de terem conhecimento prévio da Operação Heritage e afirmou que a investigação teria sido utilizada politicamente. Fávaro rebateu as acusações e defendeu a autonomia institucional da Polícia Federal, afirmando que eventuais investigados devem responder perante a Justiça.
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“Arapongagem” também vira tema nacional
A denúncia apresentada em Mato Grosso ocorre justamente quando suspeitas de monitoramento irregular voltaram ao centro do debate nacional.
Nesta terça-feira (8), o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, afirmou ter sido monitorado de forma ilegal e sistemática pela área de inteligência da Polícia Federal. Em sua decisão, o ministro chegou a utilizar a expressão “arapongagem” para classificar a gravidade das informações analisadas.
Os episódios não devem ser confundidos: até o momento, não há informação pública que estabeleça ligação entre o caso citado por Mendonça e a denúncia apresentada por Carlos Fávaro em Mato Grosso.
No caso mato-grossense, o material entregue pelo senador agora fica sob análise das autoridades. Caberá à Polícia Federal avaliar as informações apresentadas e verificar se existem elementos que justifiquem a abertura ou o aprofundamento de uma investigação sobre eventual monitoramento clandestino de candidatos durante a campanha eleitoral.

