A Prefeitura de Santo Antônio do Leverger, a 34 quilômetros de Cuiabá, decretou situação de emergência devido ao avanço das queimadas e incêndios na zona rural do município. O cenário se agravou nesta segunda-feira (31), quando as chamas atingiram o Morro de Santo Antônio, um dos principais cartões-postais de Mato Grosso.
O incêndio chamou a atenção de moradores de diferentes regiões. As chamas e a fumaça puderam ser vistas à distância, inclusive de pontos de Cuiabá, enquanto imagens do fogo passaram a circular nas redes sociais.
O decreto foi assinado pela prefeita Francieli Magalhães e leva em consideração um parecer técnico da Defesa Civil municipal, que aponta condições favoráveis para a propagação de incêndios florestais.
Entre as regiões consideradas de risco estão as comunidades de Varginha e Altos do Leverger, além da Fazenda Experimental da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).
A situação de emergência terá validade de 90 dias.
Força-tarefa para combater as chamas
Com o agravamento do cenário, a prefeitura autorizou a convocação de voluntários para auxiliar no combate aos incêndios. O Corpo de Bombeiros também está mobilizado na região.
No caso do Morro de Santo Antônio, moradores relataram que o combate por terra já não era mais possível em determinado momento e que havia expectativa pelo apoio de aeronaves para atuar diretamente sobre as áreas atingidas.
Até o momento, o Corpo de Bombeiros não havia divulgado informações detalhadas sobre a situação específica do incêndio no morro.
O avanço das chamas preocupa especialmente pela importância ambiental e turística da região, além do risco de o fogo se espalhar para outras áreas de vegetação.
Mato Grosso registra 55 focos de calor
O avanço dos incêndios ocorre em meio a um cenário de atenção em todo o estado. Nas últimas 24 horas, Mato Grosso registrou 55 focos de calor, segundo a última atualização do Programa BDQueimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), realizada às 17h desta segunda-feira.
Os registros foram identificados pelo satélite de referência Aqua Tarde.
Do total:
- 39 focos foram registrados no bioma Amazônia;
- 11 focos no Cerrado;
- 5 focos no Pantanal.
Também foram identificados nove focos de calor em Terras Indígenas.
Os registros ocorreram nas terras indígenas Sangradouro/Volta Grande, em Poxoréu; Ubawawe, em Santo Antônio do Leste; Nambikwara, em Comodoro; Paresi, em Tangará da Serra; Piripkura, em Colniza; e Tapirapé/Karajá, em Santa Terezinha.
Foco de calor não significa necessariamente incêndio
Apesar dos números, especialistas alertam que um foco de calor isolado não significa necessariamente a existência de um incêndio florestal.
O termo é utilizado para identificar áreas com temperatura elevada detectadas por satélites. O registro pode estar relacionado ao fogo, mas também pode ter outras causas.
Em geral, a ocorrência de incêndios florestais é identificada pela concentração de diversos focos de calor em uma mesma região.
Nas Terras Indígenas, o combate aos incêndios é de responsabilidade dos órgãos do Governo Federal, já que o Estado não possui autorização para atuar diretamente nessas áreas.
Enquanto o fogo avança em diferentes pontos, o cenário em Santo Antônio do Leverger reforça o alerta para o período de estiagem e para o risco de novos incêndios em áreas rurais de Mato Grosso.

