O candidato ao Governo de Mato Grosso Wellington Fagundes (PL) defendeu uma ampliação do papel desempenhado pelos agentes comunitários de saúde e de endemias, aproveitando a presença desses profissionais nos bairros e comunidades para aproximar as famílias dos serviços públicos e fortalecer políticas de prevenção.
A proposta foi apresentada por Wellington ao detalhar suas ideias para a área da saúde. O candidato sustenta que a atuação do poder público precisa deixar de estar concentrada apenas na resposta aos problemas já instalados e avançar para um modelo capaz de identificar necessidades e situações de vulnerabilidade antes que elas se agravem.
Na prática, a ideia é utilizar a capilaridade dos profissionais que já mantêm contato direto e frequente com as famílias para transformá-los também em um elo entre a população e a estrutura pública. Além do acompanhamento tradicional da atenção básica, esses agentes poderiam contribuir para orientar o cidadão e facilitar seu acesso aos diferentes serviços oferecidos pelo Estado e pelos municípios.
“O Estado tem que agir antes do problema acontecer”, afirmou Wellington ao defender a combinação entre prevenção, atenção básica, tecnologia e descentralização dos serviços.
Tecnologia para aproximar cidadão e serviço público
Outro eixo defendido pelo candidato é a integração tecnológica da rede de saúde.
Wellington propõe o programa “Saúde na Ponta do Dedo”, com uso de tecnologia e inteligência artificial para integrar informações, facilitar o acesso a consultas e exames e tornar os diagnósticos mais rápidos. Entre as medidas apresentadas estão prontuários e históricos clínicos digitais, marcação de consultas e exames pelo celular, teleconsultas, digitalização de exames de imagem e uma Central de Laudagem.
A proposta de ampliar a atuação dos agentes segue a mesma lógica: utilizar a tecnologia para colocar, na mão de quem está diretamente em contato com a população, informações que hoje estão dispersas em diferentes estruturas do poder público.
Com isso, o agente passa a funcionar não apenas como alguém que identifica uma necessidade de saúde, mas como um facilitador capaz de orientar a família sobre onde e como buscar atendimento.
A estratégia parte de um problema recorrente enfrentado pelo cidadão: muitas vezes o serviço público existe, mas a população não sabe onde encontrá-lo, quais procedimentos precisa seguir ou a qual órgão recorrer.
Prevenção como prioridade
Wellington também defendeu maior integração entre Estado e municípios e destacou que os agentes comunitários de saúde e de endemias possuem uma vantagem importante dentro dessa estratégia: já estão presentes diariamente nas comunidades e conhecem de perto a realidade das famílias.
Esse contato pode permitir a identificação mais rápida de problemas de saúde, dificuldades de acesso a tratamentos e outras situações que demandem atuação do poder público.
A lógica defendida pelo candidato é atuar antes que situações simples se transformem em casos de maior complexidade o que, além de melhorar o atendimento ao cidadão, pode reduzir a pressão sobre hospitais e unidades especializadas.
Atendimento mais perto de casa
A descentralização também integra o conjunto de propostas apresentadas.
Wellington defende o fortalecimento dos hospitais regionais para evitar deslocamentos desnecessários até os grandes centros e ampliar a capacidade de atendimento nas próprias regiões onde os pacientes vivem. Entre as unidades citadas estão os hospitais de Tangará da Serra, Juína e Confresa, além do Hospital Central e de projetos de hospitais universitários em Rondonópolis e Sinop.
O candidato também propõe uma regulação mais integrada entre Estado e municípios, maior controle sobre medicamentos e materiais hospitalares e ampliação de cirurgias e exames, inclusive mediante aproveitamento da capacidade disponível na rede privada.
A transformação dos agentes de saúde em uma espécie de “agentes da família” entra, portanto, como parte de uma mudança maior na lógica de atendimento defendida por Wellington: utilizar a presença do poder público nas comunidades, associada à tecnologia, para fazer com que o Estado chegue mais cedo às necessidades da população.
A proposta coloca a prevenção como ponto de partida: em vez de esperar o problema chegar ao hospital, fazer o serviço público chegar primeiro à família.

