Uma mulher denunciou o empresário cuiabano Maike Koseki de Capua, de 41 anos, por suposta extorsão e ameaça de morte em Goiás. O registro foi feito no dia 14 de julho, um dia antes de o empresário ser alvo de um mandado de prisão expedido pela Justiça de Mato Grosso por suspeita de intimidar um delegado da Polícia Civil que investigava seu possível envolvimento com uma facção criminosa.
Conforme informações obtidas pela reportagem, a denúncia relata que Maike teria passado cerca de um ano cobrando uma dívida superior a R$ 3 milhões contraída pelo ex-marido da vítima. O homem, que atualmente mora no exterior, teria deixado de responder pela dívida e o empresário teria procurado a mulher após conseguir o contato telefônico dela.
Segundo o relato registrado junto à Polícia Militar de Goiás, Maike teria ido até uma academia onde a filha da vítima, uma criança de nove anos, participava de uma aula de arte marcial. Ele estaria acompanhado de outros seis homens.
A mulher afirmou que o grupo abordou o pai dela, um idoso, e a filha, impedindo que eles deixassem o local até que ela comparecesse para tratar da cobrança.
Após ser informada da situação, a vítima foi até o endereço e teria acompanhado Maike e os homens até o condomínio onde morava. No local, em uma sala de reunião com câmeras de segurança, ela relata que foi pressionada a assumir a dívida e recebeu um contrato para transferência de todos os seus bens ao empresário.
De acordo com a denúncia, Maike teria afirmado que deixaria o país no dia seguinte e precisava que o documento fosse assinado. A mulher, no entanto, tentou ganhar tempo e não assinou o contrato.
Ainda conforme o relato encaminhado às autoridades, o empresário teria feito ameaças contra a vítima e a filha caso o documento não fosse assinado. Ela também afirmou que Maike teria mencionado que um dos homens que o acompanhava teria ligação com o Comando Vermelho e que ela poderia morrer caso a dívida não fosse resolvida.
Nenhum contrato foi assinado naquele dia. Segundo a denúncia, o empresário teria afirmado que permaneceria em Goiás até conseguir a assinatura do documento.
No dia seguinte, 15 de julho, a família deixou o imóvel e buscou um local considerado seguro. Na mesma data, Maike foi alvo de um mandado de prisão relacionado às investigações conduzidas pela Polícia Civil de Mato Grosso. Segundo o relato da vítima, mesmo após a operação policial, o empresário teria ido até o apartamento dela, mas não encontrou a família.
Carta de socorro
Em uma carta encaminhada à desembargadora Juanita Cruz da Silva Clait Duarte, a mulher relatou o episódio e afirmou temer pela própria segurança e pela integridade dos familiares.
No documento, ela relacionou a suposta tentativa de obtenção dos bens com a informação de que o empresário pretendia deixar o país.
“A tentativa da polícia em cumprir mandado de prisão contra Maike Koseki de Capua um dia após a peticionante ter sido vítima da extorsão praticada por ele esclareceu, então, as razões pelas quais ele tinha pressa em obter uma cessão de direitos sobre bens imóveis, com expressa menção de que precisava se ausentar do país ainda nessa semana”, diz trecho da carta.
Maike está foragido há oito dias desde a expedição do mandado de prisão. A defesa do empresário nega as acusações e afirma que as imputações apresentadas são alegações iniciais, que ainda serão analisadas durante o processo.
O advogado Lucas André Curvo de Carvalho Teles Figueiredo afirmou que a defesa acredita que, durante a instrução processual, será demonstrada a inexistência dos crimes atribuídos ao empresário.
“A peticionante traz todo esse ocorrido ao conhecimento de Vossas Excelências e deixa registrado nestes autos seu absoluto temor do que eventualmente possa acontecer consigo e com seus familiares caso Maike Koseki de Capua e seus asseclas sejam mantidos em liberdade ou não tenham eventuais mandados de prisão em seu desfavor efetivamente cumpridos”, consta em outro trecho da manifestação.

