O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), e a vice-presidente da Câmara Municipal, vereadora Maysa Leão (Republicanos), protagonizaram uma discussão acalorada na sala de imprensa da Casa, na manhã desta terça-feira (10), após o chefe do Executivo expor um suposto repasse de R$ 4 milhões do ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro (PSD), à ONG Lírios.
Segundo Abilio, os recursos teriam sido destinados para que a organização “rodasse o interior do estado” durante o período de pré-campanha, com possíveis vínculos à pré-candidatura de Maysa Leão à Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). A ONG é comandada por Maria Fernanda Figueiredo, ex-coordenadora da campanha da vereadora, fato citado pelo prefeito durante a declaração.
“O instituto recebeu R$ 4 milhões do Fávaro só para ficar andando pelo interior. A Câmara tem muito o que investigar”, afirmou Abilio à imprensa.
Ao tomar conhecimento da fala do prefeito, Maysa, que acompanhava a sessão no plenário, deixou a Mesa Diretora e foi até a sala de imprensa, onde iniciou o confronto verbal. A vereadora cobrou provas, negou qualquer irregularidade e ameaçou processar o prefeito pelas acusações.
“Não fale mais de mim, nem do instituto. Por que você continua falando disso? Você conhece a Maria? É de uma mulher ilibada que você está levantando suspeitas sobre um trabalho sério, coisa que o senhor não faz. Você é cínico”, disparou Maysa.
O episódio gerou novo clima de tensão na Câmara Municipal e desviou momentaneamente o foco dos debates da sessão, que incluíam pedidos de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e a criação de uma comissão especial para apurar denúncias de assédio sexual envolvendo o ex-secretário municipal do Trabalho, William Leite (PL).
Após o confronto, Maysa retornou à Mesa Diretora visivelmente abalada. A primeira-secretária da Câmara, vereadora Katisucia Mantelli (PSB), questionou o que estava acontecendo, com o microfone aberto, permitindo que a reação exaltada da vice-presidente fosse ouvida durante a transmissão oficial da sessão. Irritada, Maysa bateu uma caneta sobre a mesa enquanto respondia.
O caso deve ter novos desdobramentos políticos e jurídicos nos próximos dias.
