A bancada de Mato Grosso no Congresso Nacional teve participação de destaque nos pedidos de instalação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para apurar suspeitas de crimes e fraudes envolvendo o liquidado Banco Master. Parlamentares do Estado assinaram os requerimentos tanto no Senado Federal quanto na Câmara dos Deputados, contribuindo para que as propostas alcançassem o número mínimo de apoios exigido pelo regimento interno das Casas.
No Senado, o pedido de criação de CPI foi apresentado pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE) e reuniu 42 assinaturas, superando o mínimo necessário. Entre os signatários estão os senadores de Mato Grosso Jayme Campos (União Brasil) e Wellington Fagundes (PL), reforçando a pressão política para a instalação da comissão.
Na Câmara dos Deputados, a mobilização da bancada mato-grossense também foi expressiva. Assinaram requerimentos de CPMI os deputados federais Coronel Assis (União), Coronel Fernanda (PL), Gisela Simona (União), José Medeiros (PL), Juarez Costa (MDB), Nelson Barbudo (PL) e Rodrigo Zaeli (PL), ampliando o peso do Estado na articulação por uma investigação conjunta entre as duas Casas.
A CPI no Senado aumenta a pressão sobre o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que também analisa um pedido de CPMI. A instalação da comissão mista depende da leitura do requerimento em sessão conjunta do Congresso Nacional. Já a CPI exclusiva do Senado poderá ser instalada após a leitura do pedido na primeira sessão deliberativa do ano legislativo, prevista para 1º de fevereiro.
O avanço dos requerimentos ocorre em meio ao crescimento das cobranças por esclarecimentos diante das denúncias envolvendo o Banco Master e decisões judiciais relacionadas ao caso. O tema ganhou ainda mais repercussão após a deflagração da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, em 18 de novembro.
A operação resultou na prisão do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e no afastamento do então presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa. Dez dias depois, Vorcaro foi solto por decisão da Justiça Federal em Brasília.
As investigações apuram a negociação que quase resultou na venda do Banco Master ao BRB, incluindo a transferência de aproximadamente R$ 17 bilhões para a aquisição de ativos que, segundo a Polícia Federal, não teriam passado por avaliação técnica prévia.
Daniel Vorcaro ingressou no setor bancário em 2017, ao adquirir participação no Banco Máxima. Em 2019, assumiu o controle da instituição e, em 2021, promoveu a mudança de nome para Banco Master, que agora se encontra no centro das investigações conduzidas no Congresso e pelos órgãos de controle.

