Ana Carolina Guerra
Desde 1999, o Hospital de Câncer de Mato Grosso (HCanMT) se mantém como o maior centro oncológico do estado, sendo referência em prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação. Com um atendimento humanizado e uma equipe especializada, a instituição registrou entre setembro de 2024 e setembro de 2025 um total de 246.897 atendimentos, incluindo consultas, exames, procedimentos de urgência, sessões de radioterapia e quimioterapia, além de internações e cirurgias. Durante o mesmo período, a campanha de prevenção percorreu mais de 60 municípios, alcançando mais de 21 mil pacientes e realizando mais de 100 mil atendimentos voltados à detecção precoce do câncer em Mato Grosso.
A manutenção e expansão da estrutura do hospital dependem diretamente das doações e parcerias estabelecidas ao longo dos anos. O apoio do agronegócio tem papel central, com contribuições financeiras, patrocínios em eventos, doação de lotes e investimentos em obras e equipamentos. Um dos gestos mais significativos foi a doação feita pela família Moraes: uma fazenda avaliada em R$ 4 milhões, destinada ao hospital após o falecimento dos pais. A iniciativa atendeu ao desejo da mãe, que havia sido vítima de câncer e expressou o desejo de contribuir de forma marcante com a instituição. Com a entrega do imóvel ao hospital, foi possível viabilizar a construção de novas alas e ampliar a capacidade de atendimento.
As obras recentes também foram impulsionadas por diversas instituições parceiras. O centro cirúrgico foi erguido com apoio do Univag, Instituto Ronald McDonald, Bom Futuro, Sicredi, Prefeitura e Câmara de Sorriso, além do Sindicato Rural de Colíder. A unidade de terapia intensiva recebeu investimentos da Bom Futuro, Estância Bahia e John Deere. O presidente do hospital, Laudemir Moreira Nogueira, ressalta que essas colaborações acompanham a história do HCanMT e continuam essenciais diante das dificuldades financeiras enfrentadas pela instituição. A diretora administrativa, Renata Oliveira, destaca que as doações representam cerca de 58% do custeio mensal do hospital, garantindo a compra de medicamentos, cateteres, próteses e outros itens não cobertos pelo contrato público ou pelo SUS.
De acordo com o demonstrativo financeiro apresentado, a receita média mensal do hospital no período foi de R$ 6,8 milhões, somando contrato estadual, recursos do Fundo Estadual de Equilíbrio Fiscal e doações. O contrato com a Secretaria de Estado de Saúde prevê repasses mensais de R$ 7,83 milhões, porém, esses valores sofrem descontos, como o referente ao PET-SCAN, além de variações relacionadas à apuração de metas. Entre setembro de 2024 e setembro de 2025, os repasses oscilaram conforme as análises técnicas da produção enviada. A direção do hospital solicitou ao Tribunal de Contas do Estado a realização de uma auditoria para revisar os critérios utilizados nessas avaliações. Durante esse período, as doações totalizaram R$ 2,48 milhões, com crescimento nos valores arrecadados ao longo de 2025. As despesas mensais da instituição somaram aproximadamente R$ 10,1 milhões, englobando folha de pagamento, honorários médicos, manutenção, materiais e medicamentos.
Mesmo diante do desequilíbrio entre receita e despesa, o hospital segue com suas obras, todas financiadas por parcerias com o agronegócio, entidades civis e grupos médicos que atuam na instituição. A direção elaborou um projeto para ampliação de 60 leitos, sendo 45 para adultos e 15 para o público infantil, aguardando investimentos para iniciar a execução. A administração também avalia a possibilidade de absorver a demanda oncológica caso a Santa Casa de Cuiabá encerre suas atividades na área, desde que haja expansão estrutural com novos aportes.
“A Santa Casa está na iminência de fechar, conforme o próprio governo já afirmou que não conseguirá manter a instituição. Nós temos condições de absorver essa demanda, mas precisamos de investimentos para ampliar nossa estrutura. Por isso, ainda em fevereiro, construí um projeto e o entreguei ao secretário Gilberto Figueiredo, prevendo a ampliação de 60 leitos, sendo 45 para adultos e 15 infantis. Infelizmente, esse projeto não teve encaminhamento. Se houver investimento do Estado para ampliar nossa estrutura, o Hospital de Câncer poderá receber essa demanda tranquilamente. Minha preocupação é a seguinte: se ampliarmos nossa estrutura, vamos atender mais e melhor. O Hospital de Câncer não tem limite para atendimento; o que precisamos é que a parceria com o governo do Estado tenha, de fato, consequências e que o investimento aconteça aqui”, afirma o presidente.
O HCanMT também está prestes a receber a certificação ONA, tornando-se o único hospital público de Mato Grosso a alcançar esse nível de qualidade, o que reforça o compromisso da instituição com a qualidade, a transparência e a segurança do paciente. A direção afirma que a instituição permanece aberta à fiscalização e empenhada em ampliar sua capacidade de atendimento com o apoio constante de parceiros e da sociedade.

