A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, em Cuiabá, a Operação “Patrocínio Infiel”, que mira duas mulheres suspeitas de comandar um esquema de fraudes envolvendo contratos imobiliários, documentação falsa e negócios simulados. Uma delas é advogada e teve a prisão preventiva decretada; a outra, que se passava por corretora, não foi encontrada.
A ação, acompanhada por um representante da Comissão de Prerrogativas da OAB-MT, foi conduzida pela Delegacia Especializada de Estelionatos. As investigações apontam que a dupla utilizava contratos forjados, procurações adulteradas, termos de arrendamento falsos, planilhas fictícias de pagamento e uma série de documentos produzidos para enganar vítimas e simular operações financeiras inexistentes.
Os mandados foram autorizados pelo Núcleo de Justiça 4.0 – Juiz das Garantias, após surgirem indícios robustos de que as duas atuavam em conjunto para aplicar golpes em série. No escritório da advogada, os policiais encontraram a suspeita deixando a sala enquanto falava ao telefone. Ela foi abordada e informada da ordem de prisão.
No local, foram apreendidos um celular, uma CPU e diversos documentos relacionados a supostos negócios imobiliários, transferências fictícias e movimentações envolvendo várias pessoas e empresas. O material será periciado para rastrear a extensão do esquema.
A advogada, de 47 anos, é velha conhecida da Polícia Civil. Desde 2013, mais de 60 boletins de ocorrência foram registrados contra ela, todos ligados a golpes patrimoniais. Em 2024, chegou a ser presa em flagrante ao tentar aplicar uma fraude dentro de um cartório, em um golpe que seria aplicado contra um casal interessado na compra de um apartamento. Na época, foi liberada após audiência de custódia.
A equipe de investigação agora tenta mapear outras possíveis vítimas, rastrear movimentações financeiras e apurar se havia lavagem de dinheiro associada às fraudes. Segundo o delegado Vinícius Nazário, o que foi apreendido reforça a participação direta da investigada no esquema, que se valia de documentos ideologicamente falsos para embasar negociações enganosas.
A Polícia Civil afirma que seguirá com as diligências para identificar demais envolvidos e desarticular completamente o grupo que, segundo as investigações, lucrava com golpes estruturados e repetidos há anos na capital.

